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segunda-feira, 14 de março de 2016

caminhei hoje tentando ver as coisas com um susto que perdi.
caminhei por ruas que já decorei, fingindo que não conhecia cada paralelepípedo.
olhei-me com a distância dos anos; flertando com meninos tão jovens quanto eu, sem dinheiro, e quando o tinha gastava em enfeites de cabelo. olhei pra mim quando caminhava absorvendo a cidade com os olhos arregalados, esperando coisas maravilhosas acontecerem, tomando banhos de chuva sem atentar para os olhares maliciosos de homens pedófilos que sorriam pra mim e eu achava que era gentileza.
e tinha frescor nos olhos. tentei esquecer metade das coisas que sei. recuperar a surpresa dos toques. olhar a vida como um tapete longo imaculado ao qual eu não seria capaz de enxergar um fim. ser brotinho.
susto muito delicioso

2 comentários:

  1. Mas que lindo o texto! De uma leveza que vai pesando aos poucos...

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  2. Essa eterna vontade dos olhos de criança.

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