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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

da necessidade de manter algumas coisas subterrâneas em mim
.
te vejo feliz e defronto meu egoísmo puro, pesado. me pego pensando se alguém te escreve cartas ou faz desenhos seus
porque é difícil não te olhar como nascente de afetações, poesia espessa e dolorida.
te afasto e me afasto desses pensamentos o quanto posso, mas as vezes
raras vezes, juro (agora sim)
lembro da sua pele e me deixo afundar. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

te vejo profunda e quieta, lago abismal antigo 
e nunca saberia dizer se é de água fria ou fervente 
te ouço cantar e é como se eu ouvisse a chuva - nunca-capturável gota que pousa e escorre, deixando um rastro molhado na pele 
que está ali, mas não está
tudo sobre você é líquido.

o que eu penso sobre você quando acordo OU tentativa de te fazer enxergar a si mesma com meus olhos OU AINDA lista de coisas encantadoras em você

a curva das suas clavículas apontando para o centro
olhos pequenos cor bolinha-de-gude que por algum motivo eu associo ao mar
sua cor e textura (nuvem)
o modo como você não tem medo de ser intensa
beijos lentos - e quando os dentes se tocam 
o som absurdamente delicioso da sua gargalhada

escrever está ficando difícil porque essas coisas suas são líquidas e eu me torno um barco furado
.
seu cheiro, seu cheiro, seu cheiro
te ver ter um orgasmo e te ouvir gemer baixinho
te perceber um pouco mais vulnerável e aberta cada vez que nos vemos
-item importante- o fato de você ser séria e seu sorriso aparecendo em horas sinceras
seu sorriso (e tudo relacionado à sua boca) 
o espaço que você está dando para que a liberdade aconteça
.
me sinto tão brega mas tenho vênus em peixes e as vezes ele aparece com força. é mais raro do que parece, verdade. mas coube nesse mês.
aliás, quanta coisa cabe em um mês? um ciclo lunar, um ciclo menstrual, algumas ressacas, algum ciúmes, várias tardes ociosas incríveis
e atrasos pra escrever cartas. 
Pensei uma rua feita de pessoas que não atrapalhassem minha solitude 
sentada no meio fio sozinha sem que ninguém me abordasse
sorrisse pra mim
gritasse do carro
sem que ninguém sequer me olhasse muito.
Pensei ontem desenhando uma coisa besta, escrevendo poeminhas
de mágoa
que nós poderíamos ter sido algo
aí percebi que eu sou algo muito maior do que qualquer possibilidade frustrada 
porque existo.
Um dia me perguntei quando eu deixaria de ser planeta em magma puro, sem uma camada dura, planeta em carne viva
e vi
uma rocha
em mim. 
te via sempre 12:30h, horário fronteira 
parece errado desejar "bom dia", porque o sol vai alto
e sinto que desejar "boa tarde" é precipitar o tempo. 
e aí nunca soube o que desejar.
da mesa onde eu sentava via seu sorriso aparecendo fácil, e não entendia como alguém podia sorrir lá dentro, lugar fechado sem ver a rua ou o céu
hoje entendi o porquê 
na falta de sol, alguma coisa precisava iluminar o lugar.