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terça-feira, 15 de maio de 2018

Deslizo
na incerteza, na inverdade 
escapo
Esticando o corpo tento alcançar o que fui
Deslizo na dúvida e no medo mas sei que habito no amor
sei e sinto
Cozinho coisas, tomo cerveja, faço sexo e limpo a casa quase sempre esquecida de mim
Mas me preocupo muito pouco e raramente
porque não tenho fim
porque estou, 
sei e sinto.

sexta-feira, 16 de março de 2018

uma coisa que todo mundo sabe é que não é possível que dois corpos ocupem o mesmo lugar no espaço
eu nunca pretendi ser uma grande cientista 
mas sinto que no meu quarto escuro ou na sua cama embaixo da janela
a gente chega perto de conseguir.
pensei em contar pra comunidade acadêmica, em relatos oficiais
sobre sua pele mansa
sobre como eu perco a capacidade de definir o limite de onde termina meu corpo e começa o seu.
escreveria assim: "as vezes eu me sinto tão ela que não sei qual de nós duas teve um pensamento
a voz dela ecoa na minha garganta
e nós temos o mesmo tamanho, cor, temperatura."
mas aí penso que cientistas observadores importantes seriam enviados, e a coisa não aconteceria
porque normalmente, eu sou eu e você é você
cada uma ocupando seu próprio lugar.
e nessas horas de quebrar as leis, é necessário que ninguém saiba, que ninguém esteja lá
além do meu-seu corpo.

quinta-feira, 1 de março de 2018

vamos pela vida juntos
porque os mesmos segundos passam para todos.
caminhamos através do tempo
do útero até o fim,
todos.
e se o caminho pudesse nos fazer perder a pressa
e fossemos arrebatados pela calma
nos olharíamos? 
eu tento
eu tento eu tento
manter no peito um buraco lindo
uma malha fina e vazada
um espaço aberto pra que o vento passe e assovie 
e pra que o mundo passe e as pessoas passem
as vezes realmente consigo
tudo me atravessa e eu também atravesso o buraco aberto no peito de tudo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

hoje, no caminho pra te encontrar,
pensei nas coisas absurdas que você fala. 
ri um riso de ternura absoluta porque essas coisas provocam chuva, 
como se eu me desfizesse em pedaços de água 
ou como se fosse você chovendo aqui dentro
alagando aqui dentro
criando poças
e caminhando descalça em mim.
por um tempo senti um medo afiado, familiar
medo de escancarar minha cabeça e minha casa, de te ver entrar com sua ventania,
mas não tenho mais.
porque não consigo imaginar seus olhos mansinhos me dirigindo raiva,
porque eu preferiria sentir muita dor antes de te causar alguma,
e sobretudo porque não vejo nada que não seja beleza ao redor seu.
(só tenho medo ainda de nunca mais conseguir escrever outra coisa que não seja você.)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

entre suas esquinas
os vãos dos seus ossos 
e a temperatura da sua respiração
é como se eu tivesse que descobrir algo.
me deixo, investigação deliciosa 
flutuando nessa luz abstrata e quente que sai de dentro de você, comendo suas cores
tentando fundir minha pele com a sua
e deslizar a mão ou a boca entre suas coxas pra te ver morder o travesseiro
tem sido uma das minhas atividades preferidas.