te vejo profunda e quieta, lago abismal antigo
e nunca saberia dizer se é de água fria ou fervente
te ouço cantar e é como se eu ouvisse a chuva - nunca-capturável gota que pousa e escorre, deixando um rastro molhado na pele
que está ali, mas não está
tudo sobre você é líquido.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
Pensei uma rua feita de pessoas que não atrapalhassem minha solitude
sentada no meio fio sozinha sem que ninguém me abordasse
sorrisse pra mim
gritasse do carro
sem que ninguém sequer me olhasse muito.
Pensei ontem desenhando uma coisa besta, escrevendo poeminhas
de mágoa
que nós poderíamos ter sido algo
aí percebi que eu sou algo muito maior do que qualquer possibilidade frustrada
porque existo.
Um dia me perguntei quando eu deixaria de ser planeta em magma puro, sem uma camada dura, planeta em carne viva
e vi
uma rocha
em mim.
sentada no meio fio sozinha sem que ninguém me abordasse
sorrisse pra mim
gritasse do carro
sem que ninguém sequer me olhasse muito.
Pensei ontem desenhando uma coisa besta, escrevendo poeminhas
de mágoa
que nós poderíamos ter sido algo
aí percebi que eu sou algo muito maior do que qualquer possibilidade frustrada
porque existo.
Um dia me perguntei quando eu deixaria de ser planeta em magma puro, sem uma camada dura, planeta em carne viva
e vi
uma rocha
em mim.
te via sempre 12:30h, horário fronteira
parece errado desejar "bom dia", porque o sol vai alto
e sinto que desejar "boa tarde" é precipitar o tempo.
e aí nunca soube o que desejar.
da mesa onde eu sentava via seu sorriso aparecendo fácil, e não entendia como alguém podia sorrir lá dentro, lugar fechado sem ver a rua ou o céu
hoje entendi o porquê
na falta de sol, alguma coisa precisava iluminar o lugar.
parece errado desejar "bom dia", porque o sol vai alto
e sinto que desejar "boa tarde" é precipitar o tempo.
e aí nunca soube o que desejar.
da mesa onde eu sentava via seu sorriso aparecendo fácil, e não entendia como alguém podia sorrir lá dentro, lugar fechado sem ver a rua ou o céu
hoje entendi o porquê
na falta de sol, alguma coisa precisava iluminar o lugar.
sábado, 23 de setembro de 2017
23/09/2017, 20:58, sábado
essa sou eu, com 21 anos. esse é meu corpo de agora. eu tenho tatuagens, cicatrizes e sardas que não tinha ano passado. com 21 anos passei a ter chulé as vezes.
essa sou eu, com 21 anos. sinto meu corpo reclamar se como mal, se fico muito tempo parada ou se bebo demais. lembro dele se recuperar mais rápido antes. eu encontrei uma celulite na bunda e fiquei feliz.
essa sou eu, com 21 anos. tenho superado algumas dificuldades sociais. tenho medo de intimidade. me apaixonei muitas vezes esse ano e me frustrei e fui enganada e me recuperei e vou me apaixonar de novo. tenho usado muitas drogas.
essa sou eu, com 21 anos. eu amo e estou feliz. eu me aceito hoje. me sinto responsável e tenho pouco tempo livre. aprendi a aplicar massagens e aplico. continuo gastando muito do meu dinheiro em comida, cerveja, incenso e maconha, mas agora também gasto em passagens de ônibus.
essa sou eu, com 21 anos. eu estou desejando ter uma conversa sincera com os meus pais. dizer que gosto de mulheres, que acho que meu irmão precisa passar menos tempo na internet e que meu pai não pode ser tão rude com minha mãe. dizer que não quero ser rica nem abrir uma empresa, mas que quero viajar.
essa sou eu, com 21 anos. eu sinto que não estou aproveitando a faculdade. no meu quarto tem pinturas inacabadas que comecei a mais de um ano, as telas cheias de poeira, abandonadas. eu começo a ler sete livros ao mesmo tempo e não termino nenhum. eu falo do meu irmão, mas gasto um tempo inaceitável de navegação aleatória na internet.
essa sou eu, com 21 anos. sou jovem, branca, classe média alta. não entendo nada do mundo adulto. piro muito com alienígenas e acho que eles são mestres espirituais.
domingo, 17 de setembro de 2017
eu queria parir palavras
que abarcassem um pouco da imensidão que sinto
arranco peles dos lábios quando estou aflita e hoje eles estão sangrando
acordei e permaneci com uma sensação parecida com o que a gente sente ao ouvir uma criança gritar de dor
um susto paralisante e ágil. como se chama?
essa noite tive mil tipos de pesadelos e acordei chorando
chorei acordada também, remoendo os sonhos
e fiquei feliz porque me percebi forte
eu sou uma mulher
forte
e entendo que o sofrimento é só uma frequência baixa na qual também precisamos vibrar
o todo espera porque não há nenhum lugar a se chegar.
eu não caí.
que abarcassem um pouco da imensidão que sinto
arranco peles dos lábios quando estou aflita e hoje eles estão sangrando
acordei e permaneci com uma sensação parecida com o que a gente sente ao ouvir uma criança gritar de dor
um susto paralisante e ágil. como se chama?
essa noite tive mil tipos de pesadelos e acordei chorando
chorei acordada também, remoendo os sonhos
e fiquei feliz porque me percebi forte
eu sou uma mulher
forte
e entendo que o sofrimento é só uma frequência baixa na qual também precisamos vibrar
o todo espera porque não há nenhum lugar a se chegar.
eu não caí.
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