resolvi ignorar alguns sinais do universo
e a constatação lógica de que você é problema
porque sinto que tu vale a minha queda
e que vale a pena trocar um pouco de provável-dor-futura pela visão linda que tive
sua
vestindo uma jaqueta sem nada por baixo para ir no banheiro
e aquela outra de você fumando um cigarro na varanda da minha casa onde é proibido cigarros
e com certeza pela sua voz.
terça-feira, 22 de agosto de 2017
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
para os contatos que ficaram sempre pela metade
talvez nossas sensibilidades pudessem ter se tocado se você
aceitasse ou fizesse convites inusitados
se você as vezes quebrasse regras do convívio social
fosse inconveniente ou um pouco egoísta
se você se mostrasse vulnerável comigo
não muito
só um pouco bastava.
se você não fosse sempre tão educada
tão asséptica e inacessível e perfeita e aceita e de cabelo arrumado
sempre.
eu poderia ter te pedido: vamos virar essas tequilas
e quem sabe eu conhecesse uma parte menos controlada tua
me mostra você, me fala a versão completa desses seus pensamentos dúbios, me descreva um sonho erótico
decepcione sua família
confessa uma coisa que não seja bonita
você não precisa ser sempre bonita
não consigo acreditar que sua alma use roupa social ou cante ópera
mas vejo-a rindo descalça na areia fria da praia durante uma tempestade tão cinza e violenta quanto uma tempestade pode ser
selvagem e dolorida, linda
eu nunca te vi.
domingo, 2 de julho de 2017
resumo de mim
corpo de pele nova macia cor de pouco sol
e cabeça toda bagunçada de coisas acumuladas, não resolvidas, vincos antigos
uma falta de prática na vida
ter se acostumado com os cantos (não de músicas, mas de paredes)
saudade do mar que se retorce o ano todo
não ter preferidos nem ser a preferida de ninguém
uma identificação excruciante
vez por mês morrer de dor e sangrar pela vagina (um sangue grosso e vermelho escuro, tão escuro, cor de substância que se criou dentro de alguém)
só dormir tarde
escrever coisas que ficarão semiescondidas
as vezes ser fraca como bolha de sabão, fraca como um homem, frágil, sol de inverno, promessas de adolescência, frágil frágil, filhote de pássaro, medo, fraca
as vezes ser forte como uma onda de maré alta e lua cheia
saber que o futuro ainda é grande.
e cabeça toda bagunçada de coisas acumuladas, não resolvidas, vincos antigos
uma falta de prática na vida
ter se acostumado com os cantos (não de músicas, mas de paredes)
saudade do mar que se retorce o ano todo
não ter preferidos nem ser a preferida de ninguém
uma identificação excruciante
vez por mês morrer de dor e sangrar pela vagina (um sangue grosso e vermelho escuro, tão escuro, cor de substância que se criou dentro de alguém)
só dormir tarde
escrever coisas que ficarão semiescondidas
as vezes ser fraca como bolha de sabão, fraca como um homem, frágil, sol de inverno, promessas de adolescência, frágil frágil, filhote de pássaro, medo, fraca
as vezes ser forte como uma onda de maré alta e lua cheia
saber que o futuro ainda é grande.
terça-feira, 13 de junho de 2017
dia 13
o ar da tarde foi como o ar de uma redoma limpa
de céu nublado, alaranjado um pouco - e doce.
na minha cabeça zumbia uma felicidade estranha. uma felicidade que era quase um espaço vazio, preenchido de possibilidades
(todas as coisas tem uma capacidade implacável de surgirem, se modificarem ou pararem de existir).
uma felicidade morna que era quase uma tristeza
pairava.
percebi que não faço a menor ideia do que estou fazendo
hoje choveu.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
as vezes confundo meu corpo com o mundo
não sei se meus braços são quilométricos
se tenho pernas que andam ou pernas que são todas as partes.
confundo meu tempo, viro o que sempre existiu
viro o que nem existe ainda - esqueço que um dia eu não era nascida.
minha língua fica doce como se nunca tivesse tocado água do mar
e minha boca inteira vira céu
e tropeço nas pausas, nos tempos marcados do relógio, em memórias alheias
vejo tudo ao mesmo tempo
sinto o vento sem que esteja ventando e ouço os ruídos dos animais que estão a um continente inteiro de distância
ouço-os rastejando na grama, correndo, se alimentando, parindo
lembro do sangue (nunca esqueço o sangue, no fundo de tudo o farejo e o quero)
os contornos do meu corpo se diluem, me espalho, existo
entendo
deixo que alguma coisa em mim gargalhe
não sei se meus braços são quilométricos
se tenho pernas que andam ou pernas que são todas as partes.
confundo meu tempo, viro o que sempre existiu
viro o que nem existe ainda - esqueço que um dia eu não era nascida.
minha língua fica doce como se nunca tivesse tocado água do mar
e minha boca inteira vira céu
e tropeço nas pausas, nos tempos marcados do relógio, em memórias alheias
vejo tudo ao mesmo tempo
sinto o vento sem que esteja ventando e ouço os ruídos dos animais que estão a um continente inteiro de distância
ouço-os rastejando na grama, correndo, se alimentando, parindo
lembro do sangue (nunca esqueço o sangue, no fundo de tudo o farejo e o quero)
os contornos do meu corpo se diluem, me espalho, existo
entendo
deixo que alguma coisa em mim gargalhe
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