Essa semana quase morremos. Um caminhão furou o sinal vermelho e foi por tão pouco.
Tremi até a tarde.
Não me sinto capaz de morrer mas não sei o porquê.
Ou porque medo instintivo da morte ou porque a vida é boa.
segunda-feira, 13 de março de 2017
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
é difícil se equilibrar na latência do mundo.
nas coisas que quase acontecem o tempo todo. nas nuvens pretas que cobrem a cidade e não derramam. no momento antes de espirrar. na preparação do salto. no susto.
as vezes, no meio do dia, lembro de sentir aquele ponto nevrálgico da existência; a vida só acontece agora.
agora.
nem um segundo além desse segundo.
ando alguns momentos com essa consciência: sinto o chão acolher meus passos, agora, o ar deslizar para dentro de mim espontâneo, os líquidos que me preenchem, agora, o que meus ouvidos processam, muito nesse agora, as dores do meu corpo de agora.
existo agora delicada e forte.
nas coisas que quase acontecem o tempo todo. nas nuvens pretas que cobrem a cidade e não derramam. no momento antes de espirrar. na preparação do salto. no susto.
as vezes, no meio do dia, lembro de sentir aquele ponto nevrálgico da existência; a vida só acontece agora.
agora.
nem um segundo além desse segundo.
ando alguns momentos com essa consciência: sinto o chão acolher meus passos, agora, o ar deslizar para dentro de mim espontâneo, os líquidos que me preenchem, agora, o que meus ouvidos processam, muito nesse agora, as dores do meu corpo de agora.
existo agora delicada e forte.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Não te conheço.
Não te conheço e mesmo assim, te uso como material pra poesia.
Imagino conversas nossas no chuveiro e as vezes acho que sinto seu cheiro quando dobro alguma esquina.
Não te conheço e não te amo (não te amo mais do que amo todas as coisas).
Não te conheço, te projeto, e espero que você perceba meu corpo aberto quando envio sinais telepáticos sutis.
Quero mastigar sua pele
te tocar de todas as formas.
Você não me conhece mas eu me pinto interessante - não sei não jogar
Chamo sua atenção e finjo que foi sem querer. Toco minha boca quando sei que você está olhando (me sinto estúpida)
funciona.
Não te conheço e nem quero, pra não estragar a fantasia que te criei.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
maria caminhou sozinha muito longe, como se quisesse se livrar das próprias pernas.
no caminho, do lado de fora de maria, acontecia o trânsito da cidade, um por de sol poluído e bonito, barulho de ônibus cheio.
e dentro de maria corria muita água. dentro dela frutas apodreciam e abelhas voavam bem livres.
alguns pensamentos deixavam maria irritada, porque ficamos irritados com a incapacidade de compreender como as coisas realmente funcionam. sem querer ela perguntou em voz alta: será que na maior parte do tempo estamos fingindo, jogando um jogo sem entender as regras, bagunçando o tabuleiro, dizendo que estamos ganhando?
uma velha mais ou menos ouviu e mais ou menos pensou sobre isso, mas quando quis olhar maria, ela já tinha caminhado mais um monte.
será que o prêmio é, afinal, a vida pura?
quis que sua cabeça funcionasse igual quando estamos quase dormindo, e entendemos tudo. na noite passada, antes de dormir, maria entendeu que é necessário contemplar a vida e aceitá-la como ela se apresenta, já que não temos outra coisa.
viu um céu carregado de água de verão e lembrou da roupa no varal.
no caminho, do lado de fora de maria, acontecia o trânsito da cidade, um por de sol poluído e bonito, barulho de ônibus cheio.
e dentro de maria corria muita água. dentro dela frutas apodreciam e abelhas voavam bem livres.
alguns pensamentos deixavam maria irritada, porque ficamos irritados com a incapacidade de compreender como as coisas realmente funcionam. sem querer ela perguntou em voz alta: será que na maior parte do tempo estamos fingindo, jogando um jogo sem entender as regras, bagunçando o tabuleiro, dizendo que estamos ganhando?
uma velha mais ou menos ouviu e mais ou menos pensou sobre isso, mas quando quis olhar maria, ela já tinha caminhado mais um monte.
será que o prêmio é, afinal, a vida pura?
quis que sua cabeça funcionasse igual quando estamos quase dormindo, e entendemos tudo. na noite passada, antes de dormir, maria entendeu que é necessário contemplar a vida e aceitá-la como ela se apresenta, já que não temos outra coisa.
viu um céu carregado de água de verão e lembrou da roupa no varal.
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Sinto a vida como a tecitura dos anos que vão ficando ao longo do passado.
Sinto a vida ao abrir a janela e saber que abri um dos olhos da noite.
E amo a vida com a mesma força que a odeio, com bolas de choro na garganta.
Amo a falta de novidade nas estações que se repetem como palavras que se repetem. Como a cor da minha pele em janeiro.
Amo o verde brilhante denso comestível das florestas como odeio o sofrimento do mundo. E minhas células tem paciência de alma.
As vezes não me preocupo - sinto sem saber que estamos todos destinados à plenitude contente do vazio.
E as vezes me preocupo tanto que desmorono de estrutura enfraquecida.
Vivo com a delicadeza que uso para segurar bebês no colo, vivo as vezes em tons pastéis, vivo as vezes bebendo vinho, vivo consciente da morte.
Sobretudo vivo muito.
Sinto a vida ao abrir a janela e saber que abri um dos olhos da noite.
E amo a vida com a mesma força que a odeio, com bolas de choro na garganta.
Amo a falta de novidade nas estações que se repetem como palavras que se repetem. Como a cor da minha pele em janeiro.
Amo o verde brilhante denso comestível das florestas como odeio o sofrimento do mundo. E minhas células tem paciência de alma.
As vezes não me preocupo - sinto sem saber que estamos todos destinados à plenitude contente do vazio.
E as vezes me preocupo tanto que desmorono de estrutura enfraquecida.
Vivo com a delicadeza que uso para segurar bebês no colo, vivo as vezes em tons pastéis, vivo as vezes bebendo vinho, vivo consciente da morte.
Sobretudo vivo muito.
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