eu não sou auto-imune. eu me respeito.
eu aceito as receitas que eu erro. eu aceito as hipocrisias que não combato. eu me celebro, eu me respeito, eu me aceito.
eu enfeito meu corpo, passo tinta nos olhos, penduro coisas no pescoço, faço furos e coloco adornos. não pra esconder mas pra celebrar. eu sou a minha festa. meu corpo é meu relicário. meu objeto de ritual.
eu escuto meus órgãos. escuto o sussurro do sangue correndo.
eu me perdoo. eu não reprimo.
eu sou maior que o sol. eu ocupo toda a sala. eu sou todas as coisas. eu vibro. eu absorvo.
eu me desenho. eu vejo meu sangue pingar. eu tenho sangue.
eu celebro o que sou.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
sou mulher e da minha mulherice experimento a solidão.
e espalho pelas minhas relações a inevitável sina
observo os cachorros de rua: machos alegres de rabos que se movem e passos lépidos
fêmeas tristes
tetas cheias
as vezes penso que uso as pessoas. que devia protegê-las das minhas vontades que mudam tão rápido
já que ninguém devia ser exposto assim a marés bravas piscianas
mas não seria lá muito justo comigo aprisionar minhas ondas
solitárias ondas de mulher
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
como eu ando, pra quem pergunta
ando pesquisando rotas de bicicleta no google maps
ando tirando fotos nua pra me ver melhor, e as vezes enviando-as a alguém
ando chapada por ruas de paralelepípedo encontrando guarda-chuvas verdes e sendo fotografada por pessoas queridas
ando olhando pro céu
ando cortando um pouco o cabelo
ando usando rímel azul
ando fritando coxinhas
ando mudando de ideia, me questionando sobre coisas bem d'aqui dentro. enganando pessoas de que minha vida não anda um completo tédio. ando acordando tarde. ando fazendo longas faxinas.
ando cansada.
"estou exausta. mas forte. muito forte."
ando pesquisando rotas de bicicleta no google maps
ando tirando fotos nua pra me ver melhor, e as vezes enviando-as a alguém
ando chapada por ruas de paralelepípedo encontrando guarda-chuvas verdes e sendo fotografada por pessoas queridas
ando olhando pro céu
ando cortando um pouco o cabelo
ando usando rímel azul
ando fritando coxinhas
ando mudando de ideia, me questionando sobre coisas bem d'aqui dentro. enganando pessoas de que minha vida não anda um completo tédio. ando acordando tarde. ando fazendo longas faxinas.
ando cansada.
"estou exausta. mas forte. muito forte."
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
antes do primeiro quarto de lua, como manda a tua intuição.
(pra curar, não demoro e vou te embalar no mar. no sal que tira toda a maquiagem e poeira dos dias)
vou jogar muita coisa fora. algumas coisas tentarão segurar-se, agarrar forte as paredes do meu crânio, resistir aos movimentos peristálticos. algumas delas vão mesmo implorar, numa tentativa quase bem sucedida de ficar fora do fluxo de expulsão. e eu talvez quase dê ouvidos, mas prosseguirei. não demonstrarei piedade (ainda que sinta alguma) nem pelo menor segundo que existe.
as ruas estarão alagadas com os meus restos, alagadas das coisas que joguei fora. pode ser que alguém, que estava passando, veja a quinquilharia e queira uma coisa ou duas e as pegue. o que sobrar, viajará e desaguará no lugar onde os restos desaguam.
no fim, eu e minha casa estaremos vazias e sangrando. com marcas de papel de parede arrancado. perceberei que joguei algumas coisas importantes fora, como pedaços da minha carne e até alguma lasca de um órgão vital, mas serei resiliente. estarei em carne viva e serei resiliente.
será tudo muito, muito dolorido, e para me curar, deitarei por cima e envolta na e em volta da e sob a manta morna que o mar é.
vou jogar muita coisa fora. algumas coisas tentarão segurar-se, agarrar forte as paredes do meu crânio, resistir aos movimentos peristálticos. algumas delas vão mesmo implorar, numa tentativa quase bem sucedida de ficar fora do fluxo de expulsão. e eu talvez quase dê ouvidos, mas prosseguirei. não demonstrarei piedade (ainda que sinta alguma) nem pelo menor segundo que existe.
as ruas estarão alagadas com os meus restos, alagadas das coisas que joguei fora. pode ser que alguém, que estava passando, veja a quinquilharia e queira uma coisa ou duas e as pegue. o que sobrar, viajará e desaguará no lugar onde os restos desaguam.
no fim, eu e minha casa estaremos vazias e sangrando. com marcas de papel de parede arrancado. perceberei que joguei algumas coisas importantes fora, como pedaços da minha carne e até alguma lasca de um órgão vital, mas serei resiliente. estarei em carne viva e serei resiliente.
será tudo muito, muito dolorido, e para me curar, deitarei por cima e envolta na e em volta da e sob a manta morna que o mar é.
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