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sexta-feira, 17 de julho de 2015

642 coisas sobre as quais escrever; 245 dê o pior conselho possível

escuta.
quero que você me beije e só isso que existe. não pensa. não precisa me negar porque já me neguei antes.
quando você estiver confusa, olha pela janela e pensa que sua cabeça é feita de nuvens, e sua confusão passa tão rápido quanto o vento que leva a chuva embora.
quando estiver triste quero que você pegue sua bicicleta e pedale até a serra do mar ouvindo a música que te lembre alguém que te machucou muito. e depois volte pedalando até a minha rua e me beije.
e quando se sentir pressionada, se demita e fume um baseado no seu ex-escritório. espera, esse na verdade é um ótimo conselho.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

As águas do mundo são sempre as mesmas

Um raio cai mil vezes no mesmo lugar. (você pode pensar que isso é bonito, como uma planta arrancada que ainda tem raízes. Mas não é.)
As águas de um rio passam, mas voltam. E eu esqueço de coisas mas de repente lembro, e arde. Porque resgato sentimentos que pensei obsoletos, e arde.
(sem doer, como sereno fino que não molha, mas existe.)
penso que já fui como um planeta recém nascido, em puro magma, em carne viva. exposto, aberto. que doía e molhava.
mas tenho feito-me solo duro e sei resistir ao rodar infinito dos corpos apenas com desconforto.
menos à minha própria órbita. essa dói.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

(642 coisas sobre as quais escrever) 258: Carta a um artista solitário

Eu também não falo espanhol

Oi. Quando o sorteador escolheu esse tema achei que não poderia ser coincidência. Então vou falar como se te conhecesse muito bem, como se soubesse seu nome e até te amasse.
Eu entendo a vontade de ficar sozinho num lugar muito alto. Uma vez vi o sol nascer no terraço de um prédio e agora não consigo lembrar de coisa mais bonita.
Não sei se você gosta de ser sozinho. Eu gosto. Talvez aprender a gostar faça bem (ou amenize o mal que te faz).
Espero que sua solidão seja arte tanto quanto puder. Não porque o mundo precise, mas porque talvez você precise pra não morrer afogado. E se quiser companhia, não estou.
Atenciosamente, ninguém.

para julho

a assimetria dos nossos contatos é uma coisa à qual meu coração não brinda.
seu céu branco e falta de sol me deixam deprimida. (não preciso disso porque na maior parte do tempo sou, eu mesma, céu branco).

segunda-feira, 6 de julho de 2015

peito-maré

se alguém pensa que eu vou sucumbir, que vou afundar
anunciarei partida e içarei minhas velas tão alto que deus vai reclamar.
e remarei tão rápido que virarei um pontinho alcançando o horizonte e logo não serei mais visível. e não sentirei remorso ou saudades e nem pensarei em quem deixei acenando na praia.
me entregarei com graça às correntes e as marés que me arrebatarão e dormirei sozinha na proa, sendo guiada pr'onde for que o vento queira, toda iluminada nua coberta de sol.
e quando estiver tão longe, derramarei as últimas lágrimas pra juntar meu sal com o sal do mar, e deixarei que Iemanjá sopre suave um vento que seque meu rosto e aqueça meu pensar.
e então, quem sabe, um dia eu afunde. vire morada ou alimento pra peixe, coral, sereia.