peguei a doença que seus olhos tem. doença de ver o que não existe
e deixar de ver o que existe.
luz, tira de mim. me atravesse como cristal.
como um pato de cristal na mesa da sala que captura a luz da janela sem querer e não consegue retê-la (por ser tão bonito).
não tente me decifrar.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
terça-feira, 2 de junho de 2015
você gosta de mato mas dos meus pés na grama não gosta.
e gosta de tinta mas não quer pintar meu rosto
e tem amigosamores que bebem mas me julga quando estou bêbada
me chama mas me repele se eu te atender e diz saudade mas não aceita meus convites
e você tem esse olhar de quem ama o mundo inteiro mas ou é falso
ou não sou desse mundo
e gosta de tinta mas não quer pintar meu rosto
e tem amigosamores que bebem mas me julga quando estou bêbada
me chama mas me repele se eu te atender e diz saudade mas não aceita meus convites
e você tem esse olhar de quem ama o mundo inteiro mas ou é falso
ou não sou desse mundo
sábado, 23 de maio de 2015
você não vai entrar, passarinho
com suas asas que fazem furacões.
não vai entrar em mim de novo. com suas pequenas patas curiosas bisbilhotando a quinquilharia que sou/carrego.
com teu ar, cheiro e palavra.
te deixo ficar na varanda junto com todos os outros e até na sala, dependendo da minha força. mas não na alma. não na cabeça.
em mim não tem pouso pra você.
não vai entrar em mim de novo. com suas pequenas patas curiosas bisbilhotando a quinquilharia que sou/carrego.
com teu ar, cheiro e palavra.
te deixo ficar na varanda junto com todos os outros e até na sala, dependendo da minha força. mas não na alma. não na cabeça.
em mim não tem pouso pra você.
a vida toda é outono
já são quase 20 horas antes que você possa pensar nisso. e de repente é segunda e você tem quase 20 anos e seus peitos logo vão começar a cair.
e em vez das ideias florescerem, a mente é uma árvore seca de fim de outono. (sem os tons alaranjados vivos, só marrom e seca.)
e em vez de irradiar fome e vontade de mundo, mantenho olheiras e olhos vermelhos e pele apagada.
e pratico um amor inverso.
e em vez de amizades efusivas, ressacas (físicas e não)
mas viver ainda dói bom.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
indecida-se
Minha cabeça redemoinha de palavras que não consigo capturar, como acontece com teu vento.
Te reconheci no vento (que rege nossos signos. que rege pipas, penas.)
E você fala muito. Mas não te encontrei em palavra nenhuma; foi no silêncio e no escuro. Quando não paramos de dizer, só paramos de falar.
E do mar veio mil ventos salgados pra embalar nossa embriaguez, então nossos olhos ventaram. E bocas ventaram.
As vezes cá dentro brisa.
Te reconheci no vento (que rege nossos signos. que rege pipas, penas.)
E você fala muito. Mas não te encontrei em palavra nenhuma; foi no silêncio e no escuro. Quando não paramos de dizer, só paramos de falar.
E do mar veio mil ventos salgados pra embalar nossa embriaguez, então nossos olhos ventaram. E bocas ventaram.
As vezes cá dentro brisa.
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