me perdi nas asas furta-cor dos insetos ou nas folhas e sujeira que o vento roda. nas quedas borbulhantes de água. no quadril de alguém. no sono.
me perdi na espuma do mar. me perdi ralando o joelho. no cheiro que tem tronco de árvore. me perdi em cerveja. na dor dilacerante de levar pontos na mão. nas coisas que se esquecem. perdi-me cortando cebolas.
sou perdida de mim como são as borboletas que voam desavisadas em direção ao mar. e não tenho gatilhos, exceto mim mesma. e não tenho freios, exceto as leis do mundo.
mas minha alma é potável.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
te amo e odeio, castelo de cartas
amo o trabalho que teve construindo(-nos) e amo até o vento que vem forte contra a estrutura.
odeio o estado letárgico do seu coração, que não pulsa, não chove, não trovoa, não faz tempestade.
amo e odeio essa fragilidade e odeio o enjoo que ela provoca (ou amo?)
e amo tanto quanto odeio o turbilhão que me faço
(não colocarei ponto final. isso não tem fim e nem eu)
odeio o estado letárgico do seu coração, que não pulsa, não chove, não trovoa, não faz tempestade.
amo e odeio essa fragilidade e odeio o enjoo que ela provoca (ou amo?)
e amo tanto quanto odeio o turbilhão que me faço
(não colocarei ponto final. isso não tem fim e nem eu)
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
do navio retirante olhando a terra
(às delicadas veias florais, fontes que já foram).
para estraçalhar novelos de lã, espero que eu não me faça entender
e quando sua existência reflete em um lugar diferente (mas onde, onde, onde?)
e quando as delicadas veias florais vão virando rios e se perdem, ou estradas que de tão longas levam embora, ou uma coisa na qual aprofunda-se tanto que se perde a coisa.
mas refletir o que meu deus (ou ser qualquer que responda)?
que eu fique muda. muda, bem, bem muda. bem quieta, mesmo, muda.
ser engolida e sobretudo engolir
e voltar pra fonte d'onde aguavam-me ou brotavam-me veias, e elas corriam pequenas, finas, até crescerem um pouco, e um pouco mais, e virarem rios bonitos, aos quais não perdia de vista.
hoje são quase oceanos, com correntes frias e ressacas. arrebatam com força por pouco suportável.
que nada me pode
para estraçalhar novelos de lã, espero que eu não me faça entender
e quando sua existência reflete em um lugar diferente (mas onde, onde, onde?)
e quando as delicadas veias florais vão virando rios e se perdem, ou estradas que de tão longas levam embora, ou uma coisa na qual aprofunda-se tanto que se perde a coisa.
mas refletir o que meu deus (ou ser qualquer que responda)?
que eu fique muda. muda, bem, bem muda. bem quieta, mesmo, muda.
ser engolida e sobretudo engolir
e voltar pra fonte d'onde aguavam-me ou brotavam-me veias, e elas corriam pequenas, finas, até crescerem um pouco, e um pouco mais, e virarem rios bonitos, aos quais não perdia de vista.
hoje são quase oceanos, com correntes frias e ressacas. arrebatam com força por pouco suportável.
que nada me pode
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
parte de coisa nenhuma
nunca fui tinta num quadro seu (e sou apenas apenas apenas minha.)
te escrevi uma carta e guardei numa gaveta que tem nome (Cartas Que Serão Sempre Nunca Enviadas.)
me desculpe pelo mal de usar essas palavras tão definitivas (nunca, sempre)
e o mal de fazer ressalvas demais (((())))
e quando você reclamou da mãe e ela chorou (e eu chorei. e você não.)
eu te amo. eu não sei falar. desculpa. desculpa. não sei usar palavras porque elas são tantas. eu te amo. eu te amo. (eu estou chorando. e você não.)
eu sou inteira passado. sinto falta da minha primeira dezena de anos. (e tenho coisas presas nos canais dos olhos)
EU TE AMO MAS ISSO NÃO ME DESAFOGA
EU TE ESCREVO MAS ISSO NÃO ME DESAFOGA
EU CHORO MUITO MAS ISSO NÃO ME DESAFOGA
EU NÃO SEI FALAR MAS ISSO NÃO ME DESAFOGARIA
EU MINTO MAS ISSO NÃO ME DESAFOGA
E EU TE INVENTO
eu te invento pra arrumar um problema.
{eu sinto sua falta ou de uma outra pessoa que faça o que você fazia [me dizer que ainda posso fazer arte (porque ultimamente minha forma de expressão são ressalvas e lágrimas muito salgadas que não me desafogam - ou só me afogam salgado.)]}
(eu nunca eu sempre)
te escrevi uma carta e guardei numa gaveta que tem nome (Cartas Que Serão Sempre Nunca Enviadas.)
me desculpe pelo mal de usar essas palavras tão definitivas (nunca, sempre)
e o mal de fazer ressalvas demais (((())))
e quando você reclamou da mãe e ela chorou (e eu chorei. e você não.)
eu te amo. eu não sei falar. desculpa. desculpa. não sei usar palavras porque elas são tantas. eu te amo. eu te amo. (eu estou chorando. e você não.)
eu sou inteira passado. sinto falta da minha primeira dezena de anos. (e tenho coisas presas nos canais dos olhos)
EU TE AMO MAS ISSO NÃO ME DESAFOGA
EU TE ESCREVO MAS ISSO NÃO ME DESAFOGA
EU CHORO MUITO MAS ISSO NÃO ME DESAFOGA
EU NÃO SEI FALAR MAS ISSO NÃO ME DESAFOGARIA
EU MINTO MAS ISSO NÃO ME DESAFOGA
E EU TE INVENTO
eu te invento pra arrumar um problema.
{eu sinto sua falta ou de uma outra pessoa que faça o que você fazia [me dizer que ainda posso fazer arte (porque ultimamente minha forma de expressão são ressalvas e lágrimas muito salgadas que não me desafogam - ou só me afogam salgado.)]}
(eu nunca eu sempre)
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