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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ser estar ficar permanecer tornar-se continuar

Que alma cinza essa de quem julga os erros borbulhantes de português. De quem ignora a mensagem para caçar desvios da patética norma culta.
Não é aceitável que com tantas areias de praias azuis para serem exploradas pelos meus pés descalços,  eu ainda tenha que me preocupar com objetos indiretos. Que com tantas pedras grandes e quentes no mundo nas quais eu devo deitar nua, agentes passivos e predicados possam impedir minha expressão plena. Não é justo que existam em mim tantos erros bonitos para serem gritados ao mundo (!!!...) enquanto cultos senhores frios queiram calá-los. Me poupe da sua arte quadrada.

domingo, 7 de julho de 2013

não liga

tenho que ir agora. já sei o sobrenome da sua mãe, isso é um pouco demais. desculpa, meu bem, mas me apeguei. apego não é amor. só existe amor sem apego. não são complementares, não são causa ou consequência, ao contrário: são opostos.
te poupando do meu amor posso te fazer livre. você pode me amar, se quiser, mas não pode me querer. não vou saber ser tua, porque não sei ser de ninguém.
desculpa, mas, amor, não fui feita pra isso.
desculpa, tenho que ir agora, agora, agora. acho que vou pro oeste, mas a estrada é comprida então nem tente me achar. desculpa.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Chamaram de crise de pânico. Eu chamo de crise de existência.
Não tenho medo de nada, e mesmo assim, as vezes, mil sentimentos me inundam ao mesmo tempo, correndo forte igual água. (Odeio e amo a vida!!)
E aí, todos vazam... Choro é isso. É bagunça que não cabe mais em mim. Excesso de emoções contrárias, é meu corpo saturado.
Sempre que tentei explicar pra alguém meus acessos, fui terrivelmente mal-compreendida.
Então aceitei o diagnóstico. Crise de pânico. Gravíssimo.

sábado, 15 de junho de 2013

carta sobre o futuro atual estado das coisas

Acordei com o sol. Abri as cortinas e um alaranjado inundou o quarto igual água. Colhi folhinhas da horta e fiz um chá. Acendi os incensos que ele fez na noite anterior, de menta, chá-verde e maçã. A fumaça desenhava nos raios que entravam, e a madeira da casa parecia absorver todos os cheiros do ar.
Com o chá, torradas. (O pão eu que fiz.)
Fez calor, e depois do café andamos até a praia, acho que os cachorros queriam mais que nós entrar no mar. Voltamos antes da chuva pra consertar o telhado da casa na árvore, que o vento estragou terça, e queimei os ombros com o sol forte. Então coloquei folhas de aloe-vera no nosso banho.
Mais tarde achei um pézinho de morango embaixo daquela árvore grande, antiga, perto do rio. Amanhã vou pegar uma muda e plantar aqui em casa.
Uns passarinhos amarelos fizeram ninho em cima da casa semana passada. Eles nos acordam toda manhã desde então, e parece que gostam do violão e da gaita que tocamos toda tarde.
Colhi cenouras pra fazer um bolo e fiz um creme vegetal pra cobertura, enquanto ele nadava até a cachoeira. Ah, pra isso usei toda a lenha do fogão, e mais tarde fomos buscar mais.
A noite meditamos e agradecemos a Mãe Terra, e dormimos com as janelas abertas, pra entrar ar, a luz da lua, e o cheiro das flores que abrem à noite.

sábado, 8 de junho de 2013

queria te dizer muito mais

Você tem cheiro de novidade. Você é leve, positivo. Somos promissores.
Sei que prometemos não entrar no clichê mas me expresso por eles; te conhecer foi uma chance em um milhão.
Você é o por-vir.
Olha, tá bagunçado aqui em mim porque acabou de sair alguém, mas eu arrumo pra você entrar, só me dá algum tempo. Sei que você também tá bagunçado, mas a gente se conserta.
Ou se reconstrói. Juntos e sem pressa.