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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

a cidade dos pássaros pretos.

"a temperatura durante a tarde chegou aos 34°C, a mais alta desde janeiro de 2006" 
Era um céu de neve e as ruas com gosto de uma iminente garoa de verão. Eu estava parada, de camiseta e shorts no mesmo lugar onde, a alguns meses atrás, tomei chuva e te abracei pra passar o frio. O céu derreteu. Ninguém sabe, porque não sei exatamente como explicar... Mas os corredores mudaram desde que eu parei de te ver por ali.
Os corredores que mencionei outras vezes? Quentes, cheios de calor e gente. Vazios.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

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Sempre sabe o que dizer, quando dizer, e o pior, o que não dizer. É tão espontâneo e despreocupado, e quem te fez até soube onde e como colocar os defeitos. Tudo atrativo.
Tudo,
Tudo.
A voz, o jeito de falar devagar, o sorriso que você nunca dá.
Sabe o jeito de me irritar exatamente na medida, e sabe [com uma sutileza irritante] fazer eu te desculpar.
Talvez eu nunca tenha me dado tão bem com alguém antes, e eu também gosto, olha, eu sei que é démodé, mas gosto do seu cheiro.
Gosto muito, e gosto quando fica em mim sem querer. Acho que gosto de você.
E gosto de falar com você, mas bem perto. Você sabe... Gosto das suas gírias.
Gosto de quando a gente anda por aí igual amigos e você pega minha mão ou poe seu braço nos meus ombros pra deixar claro pra mim
que não é amizade.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Os cabelos loiros e curtos se agitaram pelo rosto, dançando com o vento com gosto de morte, que só existe dentro de cemitérios.
Como podia se adaptar a essa efemeridade da vida? Como alguém podia se adaptar? Pensou.
Se nem ela, a menina pequena de sardas e pele bronzeada, a menina selvagem, distante, singular, nem ela conseguia, ela que representava todas as coisas inconstantes do mundo,
quem conseguiria então?
Como lidaria com o sentimento de "sentir saudades'?
Balançou o vestido branco que fez questão de usar naquele dia, justamente por ser um velório. Nunca entendeu a razão das roupas pretas. Passou a mão no rosto vermelho de lágrimas e no cabelo mal cortado que dançava.
Afastou quem pensou em vir falar com ela. E de novo ela se revoltou. Morrer?
Deixou uns pratos no criado-mudo, a luz do banheiro acesa e,
morreu? Essa ação inacabada de morrer, assim, pela metade? Quem sabe o que deixou de falar porque foi interrompido pelo indelicado gesto de morrer?
Enfim morreu. E deixou a moça loira sozinha, em toda sua selvageria indecifrável.
Distante.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Nota mental:

ser menos imbecil.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

As possibilidades de felicidade são egoístas, meu amor.

Hoje decidi ficar acima disso. Antes eu era alguma coisa com asas presa pelos pés à angustiante obrigação de ser sempre infeliz, sempre esperta e lúcida, sempre politizada. Hoje percebi que quero pessoas espertas e politizadas e nem tão lúcidas o tempo todo por perto, e se não tem ninguém, quero pelo menos soltar meus pés e ser melhor que o que me prendia. Sozinha mesmo.
Nem sempre quero me explicar porque nem sempre quero ser entendida.