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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Os epílogos antes do resto.

Morrer é certo. Mediocridade é certa. Desamores, cansaço, escravidão, domingos.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Amélia

Amélia era uma daquelas mulheres intensas. Gostava de tudo bem salgado ou bem doce, bem forte, bem sentido, bem devagar. Não que fosse 'quente ou frio, ama ou odeia, toca ou não toca, 8 ou 80', ela até gostava do morno, o problema é que Amélia queria todos os prazeres da vida, e queria todas as dores também, de tanto que gostava de sentir.
E Amélia fazia drama e Amélia pulava de para quedas e Amélia fazia sexo com estranhos e viajava e ria e invadia festas e chorava e ficava bêbada e vivia
Amélia vivia.
Mas um dia Amélia sentiu tanto, mas tanto,
que morreu de sentir.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Que teu afeto me afetou, é fato.

...E o tanto que eu vou salvar
Das conversas sem pressa
Das mais bonitas mentiras.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Reduzir-se.

Perceber que, não importa o quão grande seja seus problemas ou quanto estrago façam em você e a todos ao seu redor, eles nunca serão grandes o suficiente pra mudar qualquer coisa no universo, no tempo, na vida. Aceitar que todas as coisas são muito maiores e vão muito além da compreensão de qualquer humano e qualquer deus, reduzir-se a toda nossa absoluta insignificância, é a verdadeira solução para qualquer coisa.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Um ratinho semi-morto, uma criança e um pai de papel-alumínio.

Era uma vez um ratinho.
Era uma vez uma menininha de 6 anos que nunca chorava.
Era uma vez um pai bravo, ocupado e recluso.
Um dia [frio] o ratinho ficou semi-morto, e a menininha chorou. Ele vai morrer, mas ratos são tão fraquinhos e morrem bem rápido, afinal. Mas é certo que as lágrimas tem vontade própria, e insistem em escorrer quando a gente não quer que ninguém veja, só pra mostrarem que existem, e escorreram. Na frente do pai bravo cuja seriedade a menina tentava imitar. Ela estava com um corpinho frio tremendo bem apertado entre as mãos, como pode um ser humano amar um rato? - Uma teoria aliás, é que as crianças sabem o jeito certo de se viver. E conforme crescem, desaprendem. Adultos é que não sabem, todos deveriam ser capazes de amar um ratinho sujo, e chorar quando ele estivesse morrendo.
-Quer por ele no microondas? Pode esquentar...
A criança teve a seguinte epifania; Meu pai é de papel-alumínio!
Então começou chorar ainda mais por descobrir que a seriedade que ela tentava imitar, na verdade, não existia. Pura faixada. E adorou isso.
Talvez o homem soubesse viver, afinal.
Não é preciso dizer o ataque que a mãe teve quando viu um adulto e uma menininha colocando um ratinho no microondas, mas não importa. Talvez todos naquela casa amassem o ratinho. Que mais não fosse, amavam a criança. No final ficaram todos os três na frente do microondas fazendo uma contagem regressiva cerebral. Foi o momento que mais chegou perto de uma espécie de perfeição familiar, e durou 10 segundos.
Meu pai é de papel-alumínio.
E antes de verificarem o resultado, o pai passou o braço pela ombro da menina e disse 'Se ele morrer, não precisa chorar. Você foi uma boa dona, e esses bichinhos tem mesmo esse desagradável costume de morrer.' e deu um sorriso meio de quem não tem jeito pra sorrir.
Acredito até que seja o mais bonito que tem.
E o ratinho viveu. Mas todo mundo sabe que não teve nada a ver com o microondas.