hoje, no caminho pra te encontrar,
pensei nas coisas absurdas que você fala.
ri um riso de ternura absoluta porque essas coisas provocam chuva,
como se eu me desfizesse em pedaços de água
ou como se fosse você chovendo aqui dentro
alagando aqui dentro
criando poças
e caminhando descalça em mim.
por um tempo senti um medo afiado, familiar
medo de escancarar minha cabeça e minha casa, de te ver entrar com sua ventania,
mas não tenho mais.
porque não consigo imaginar seus olhos mansinhos me dirigindo raiva,
porque eu preferiria sentir muita dor antes de te causar alguma,
e sobretudo porque não vejo nada que não seja beleza ao redor seu.
(só tenho medo ainda de nunca mais conseguir escrever outra coisa que não seja você.)
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
entre suas esquinas
os vãos dos seus ossos
e a temperatura da sua respiração
é como se eu tivesse que descobrir algo.
me deixo, investigação deliciosa
flutuando nessa luz abstrata e quente que sai de dentro de você, comendo suas cores
tentando fundir minha pele com a sua
e deslizar a mão ou a boca entre suas coxas pra te ver morder o travesseiro
tem sido uma das minhas atividades preferidas.
os vãos dos seus ossos
e a temperatura da sua respiração
é como se eu tivesse que descobrir algo.
me deixo, investigação deliciosa
flutuando nessa luz abstrata e quente que sai de dentro de você, comendo suas cores
tentando fundir minha pele com a sua
e deslizar a mão ou a boca entre suas coxas pra te ver morder o travesseiro
tem sido uma das minhas atividades preferidas.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
hoje, as coisas do mundo que eu não entendo,
parece que vieram todas pra dentro de mim.
a lua virou pra crescente, entrou em touro 12h,
a espinha do dia foi quebrada ao meio
e eu completei ano.
hoje fez sol e eu pensei em coisas como; como pode ser que
eu não saiba dizer em que ordem ficam nossos órgãos? se eu fosse esfaqueada nessa parte da barriga, atingiria o que?
de repente eu penso no meu gato
ele tem pulgas
penso em pulgas
sinto meu útero bem cheio e pesado - o útero eu sei onde fica -.
então é por isso que eu quis chorar.
imagino o que aconteceria se eu abrisse o Tinder agora (não abro)
penso em sexo
penso em pombos igrejas organizações não governamentais canetas stabilo
minha mãe meu irmão meu gato de novo que tem pulgas
a rua XV espíritos chá Tailândia
e no fundo eu sei, no fundo eu nunca deixei de saber
que entender é se distanciar da vida
mas frequentemente esqueço disso.
parece que vieram todas pra dentro de mim.
a lua virou pra crescente, entrou em touro 12h,
a espinha do dia foi quebrada ao meio
e eu completei ano.
hoje fez sol e eu pensei em coisas como; como pode ser que
eu não saiba dizer em que ordem ficam nossos órgãos? se eu fosse esfaqueada nessa parte da barriga, atingiria o que?
de repente eu penso no meu gato
ele tem pulgas
penso em pulgas
sinto meu útero bem cheio e pesado - o útero eu sei onde fica -.
então é por isso que eu quis chorar.
imagino o que aconteceria se eu abrisse o Tinder agora (não abro)
penso em sexo
penso em pombos igrejas organizações não governamentais canetas stabilo
minha mãe meu irmão meu gato de novo que tem pulgas
a rua XV espíritos chá Tailândia
e no fundo eu sei, no fundo eu nunca deixei de saber
que entender é se distanciar da vida
mas frequentemente esqueço disso.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
por essas ruas
entre os buracos do asfalto
entre os caminhões da oficina aqui da frente
nas telhas sujas do vizinho
plantei.
poderia levar alguém pela mão, mostrando cada coisa que nasceu de mim nesse bairro
como um museu de memórias
diria: aqui morava a dona Mônica, a pessoa mais velha do mundo
que já era velha quando eu nasci
e que enfim morreu.
e essa rua do lado é pra reviver a cena de correr atrás do meu pai, completamente bêbado, eu só de calcinha e camiseta
e dizer vamos pra casa
e ouvir ele chorar não é minha casa, não é minha casa
só um pouco pra baixo de onde dei meu primeiro beijo, anos antes.
a grama na frente dessa empresa sentávamos e fumávamos maconha a noite inteira, falando coisas jovens, inventando absurdos
e esse terreno baldio uma vez teve uma casa onde morava um homem que achávamos ser um lobisomem.
minha rua tem esse cheiro por causa da fábrica de pão
o cachorro preto que ataca estranhos
a carro do sonho, do churros, das frutas, dos ovos, o carro que troca tele-senas
não é minha casa, não é minha casa.
entre os caminhões da oficina aqui da frente
nas telhas sujas do vizinho
plantei.
poderia levar alguém pela mão, mostrando cada coisa que nasceu de mim nesse bairro
como um museu de memórias
diria: aqui morava a dona Mônica, a pessoa mais velha do mundo
que já era velha quando eu nasci
e que enfim morreu.
e essa rua do lado é pra reviver a cena de correr atrás do meu pai, completamente bêbado, eu só de calcinha e camiseta
e dizer vamos pra casa
e ouvir ele chorar não é minha casa, não é minha casa
só um pouco pra baixo de onde dei meu primeiro beijo, anos antes.
a grama na frente dessa empresa sentávamos e fumávamos maconha a noite inteira, falando coisas jovens, inventando absurdos
e esse terreno baldio uma vez teve uma casa onde morava um homem que achávamos ser um lobisomem.
minha rua tem esse cheiro por causa da fábrica de pão
o cachorro preto que ataca estranhos
a carro do sonho, do churros, das frutas, dos ovos, o carro que troca tele-senas
não é minha casa, não é minha casa.
e se eu pudesse botar no espaço
de uma forma doida, em algum lugar,
a temperatura dos seus olhos?
seria como andar em um lugar de folhas brancas enroscadas nos troncos
em um escuro fechado, mata virgem
ouvindo tudo
e de repente o céu abrisse em lua (ninguém estava esperando)
e se isso quase fervesse meus ossos, seria como um olhar seu.
de uma forma doida, em algum lugar,
a temperatura dos seus olhos?
seria como andar em um lugar de folhas brancas enroscadas nos troncos
em um escuro fechado, mata virgem
ouvindo tudo
e de repente o céu abrisse em lua (ninguém estava esperando)
e se isso quase fervesse meus ossos, seria como um olhar seu.
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