eu não espero a doçura da surpresa. não espero abrir a janela a noite e encontrar a lua cheia, morna, em um signo de ar. não espero chuva em dias secos, pé de amora no caminho, convites pra tomar chá.
gostaria de não mentir.
tanto faz pra mim quem buzina no meu portão, sem avisar que vinha, trazendo uma novidade e o escorregadio susto dos dias. quem me liga urgente pra falar que viu um cachorro engraçado. quem diz por mensagem "vem aqui, vamos fazer alguma extravagância juntos."
pra mim tanto faz essas pessoas quanto quem qualquer coisa. a falta de curiosidade ou ardência de vida, tanto faz.
eu não quero a doçura da surpresa.
(gostaria de não mentir e estar satisfeita só com o pulso presente - mas estou trabalhando nisso.)
terça-feira, 23 de maio de 2017
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Levo meu tempo contigo como alguém que passeia, sem pressa, num caminho enfeitado com pedrinhas e cheio de coisas pra ver ao redor. Gosto da nossa comunicação feita de pele que raramente precisa do verbo.
Assim que você vai embora, entro imediatamente num estado de espera não-ansiosa, ou saio de um estado de suspensão do tempo - coisa estranha que você provoca.
(Das coisas que você provoca: uma espécie de confusão mental, uma sensação de que não te aproveitei o suficiente, um pequeno medo, um tesão absurdo.)
Isso não é um bilhete.
sábado, 8 de abril de 2017
partes minhas e tuas (estou escrevendo isso na sua casa enquanto você viaja)
começou quando nos reconhecemos. ouvi sua voz, senti teu cheiro, rimos juntos e suas raízes começaram a se afundar em mim. começou (e continuou sempre) com você sendo meu amigo.
depois, o desejo monstruoso, a fome da pele alheia. as noites infinitas de vinho e cerveja compartilhados e poemas compartilhados e lençóis compartilhados. meus fluidos por todo seu corpo. tuas marcas de dentes e unhas pelo meu. nós muito bêbados e muito chapados.
veio, depois disso, tudo que vem quando o pedestal desce e a projeção acaba. a clareza do amor sincero. conversas sóbrias. você cuidando de mim, eu te seguindo pela vida dura, você sendo vulnerável um pouco, eu escrevendo muito. nós sentindo ciúmes.
lembro quando veio o ciúmes. o incomodo velado por não ser a unica, eu ficando brava quando você não trocava o lençol. você doendo daquele viajante cearense por quem eu me apaixonei antes, doendo daquela guria libriana por quem eu me apaixonei várias vezes.
mas sempre a compreensão vinha. ainda vem. com a auto análise e os diálogos sinceros. (eu te amo).
aí, um dia, você me deu uma escova de dentes só minha que ficaria na sua casa.
.
criamos uma rotina que envolvia conversas desimportantes, netflix, cozinhar juntos, sexo bem feito, banho compartilhado, e eu quis que você fosse da minha vida sempre.
e quero. sem nada disso ou com tudo igual.
e então, aconteceu de você não ser mais o único, e distancias de virgulas se colocarem nos nossos dias. (e eu ainda te amo de amor bom).
ontem percebi que conheço todas as pintas das suas costas.
depois, o desejo monstruoso, a fome da pele alheia. as noites infinitas de vinho e cerveja compartilhados e poemas compartilhados e lençóis compartilhados. meus fluidos por todo seu corpo. tuas marcas de dentes e unhas pelo meu. nós muito bêbados e muito chapados.
veio, depois disso, tudo que vem quando o pedestal desce e a projeção acaba. a clareza do amor sincero. conversas sóbrias. você cuidando de mim, eu te seguindo pela vida dura, você sendo vulnerável um pouco, eu escrevendo muito. nós sentindo ciúmes.
lembro quando veio o ciúmes. o incomodo velado por não ser a unica, eu ficando brava quando você não trocava o lençol. você doendo daquele viajante cearense por quem eu me apaixonei antes, doendo daquela guria libriana por quem eu me apaixonei várias vezes.
mas sempre a compreensão vinha. ainda vem. com a auto análise e os diálogos sinceros. (eu te amo).
aí, um dia, você me deu uma escova de dentes só minha que ficaria na sua casa.
.
criamos uma rotina que envolvia conversas desimportantes, netflix, cozinhar juntos, sexo bem feito, banho compartilhado, e eu quis que você fosse da minha vida sempre.
e quero. sem nada disso ou com tudo igual.
e então, aconteceu de você não ser mais o único, e distancias de virgulas se colocarem nos nossos dias. (e eu ainda te amo de amor bom).
ontem percebi que conheço todas as pintas das suas costas.
quarta-feira, 29 de março de 2017
12/03/2017
hoje você me perguntou como vão ser as coisas
nossas
e eu quis escrever um bilhete pra responder que vão ser assim, da minha parte, com escrita de bilhetes
com carinho na nuca enquanto você dirige
com besteiras adolescentes e talvez algumas vontades reprimidas
com dúvidas porque respeitarei o tempo das coisas, e o tempo das coisas nem sempre é claro
mas com delicadeza e beijos no meio do dia.
nossas
e eu quis escrever um bilhete pra responder que vão ser assim, da minha parte, com escrita de bilhetes
com carinho na nuca enquanto você dirige
com besteiras adolescentes e talvez algumas vontades reprimidas
com dúvidas porque respeitarei o tempo das coisas, e o tempo das coisas nem sempre é claro
mas com delicadeza e beijos no meio do dia.
terça-feira, 28 de março de 2017
carta ao fascínio por uma estranha
as vezes acontece de pessoas me causarem arrepios com a voz. um tipo que começa no topo da cabeça e corre vértebras abaixo.
não entendo direito o gatilho ou o motivo e nem sei o que essas pessoas tem em comum.
mas ouvir sua voz gravada falando profundezas me fizeram enxurradas de arrepios.
sua voz, que eu nem lembrava como era, mal tinha ouvido antes, o estalo pequeno dos seus dentes entre as palavras, a boca em formato de outro país.
eu aqui e a vida desliza em ritmos curiosos. você lá longe, num lugar que não sei qual é.
e eu não te amo com um amor humano porque não te conheço e não te compreendo, mas te desejo bem.
te desejo força para lidar com a saudade do mar.
queria dizer que quando eu te via pelas ruas do país, achava seu cabelo bonito e achava que você era um bruxa. ainda acho.
força e bem.
não entendo direito o gatilho ou o motivo e nem sei o que essas pessoas tem em comum.
mas ouvir sua voz gravada falando profundezas me fizeram enxurradas de arrepios.
sua voz, que eu nem lembrava como era, mal tinha ouvido antes, o estalo pequeno dos seus dentes entre as palavras, a boca em formato de outro país.
eu aqui e a vida desliza em ritmos curiosos. você lá longe, num lugar que não sei qual é.
e eu não te amo com um amor humano porque não te conheço e não te compreendo, mas te desejo bem.
te desejo força para lidar com a saudade do mar.
queria dizer que quando eu te via pelas ruas do país, achava seu cabelo bonito e achava que você era um bruxa. ainda acho.
força e bem.
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