alma enormemente microscópica. pedaço ínfimo de infinito. finitude imensurável.
se meu corpo refletisse alma, eu beberia o mar inteiro. aqueceria seres ectotérmicos com o meu sangue (e talvez eu própria entrasse em completa ebulição). seria feita de metal e penas.
percebi isso ao tocar seus mamilos duros. me dei conta que nosso corpo é líquido como é líquido sentir coisas. pensamentos de água morna e corpo que reflete (vagina, boca, poros, uretra, nariz, cortes)
mas não a nevrálgica infinita sólidalíquidagasosa volumosa e invisível alma. dela nada tenho nos músculos porque sei morrer.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
tuas mãos são a mistura exatamente dosada de brutalidade e doçura. os dentes marcam doído minha pele e os lábios beijam as marcas. você é doce e amargo.
os antebraços teriam força pra me esmagar (e as vezes fazem), mas um deles pousa leve no meu em-volta pra guardar meu sono e o outro vira travesseiro.
os dedos de uma mão passeiam delicados pela minha vagina, e os da outra mão me estapeiam o rosto, a bunda, puxam forte meu cabelo. você é dor e orgasmos.
menos as palavras; sempre carinho, nunca aspereza.
os antebraços teriam força pra me esmagar (e as vezes fazem), mas um deles pousa leve no meu em-volta pra guardar meu sono e o outro vira travesseiro.
os dedos de uma mão passeiam delicados pela minha vagina, e os da outra mão me estapeiam o rosto, a bunda, puxam forte meu cabelo. você é dor e orgasmos.
menos as palavras; sempre carinho, nunca aspereza.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
2015, pelas alturas de outubro
me integrei na conectividade
ganhei algum dinheiro adoçando a boca dos outros (e a minha)
amei muito
adquiri com 19 habilidades que deveria ter adquirido com menos de 9; e me sinto feliz
inseri na rotina macarrão instantâneo (acho que oficialmente virei uma universitária)
bebi muito, fumei muito
parei de beber, parei de fumar
acabaram as páginas do meu livro de receitas
fui má aluna
não fiz muitos amigos
mas fiz relativamente muito sexo
aprendi a beber água
não fui chamada para o melhor trabalho do mundo (ainda é outubro)
consegui cicatrizes
(re)aprendi a amar minha mãe
tive muitos cortes e cores de cabelo
enterrei meu sangue
vi um ovni
ganhei algum dinheiro adoçando a boca dos outros (e a minha)
amei muito
adquiri com 19 habilidades que deveria ter adquirido com menos de 9; e me sinto feliz
inseri na rotina macarrão instantâneo (acho que oficialmente virei uma universitária)
bebi muito, fumei muito
parei de beber, parei de fumar
acabaram as páginas do meu livro de receitas
fui má aluna
não fiz muitos amigos
mas fiz relativamente muito sexo
aprendi a beber água
não fui chamada para o melhor trabalho do mundo (ainda é outubro)
consegui cicatrizes
(re)aprendi a amar minha mãe
tive muitos cortes e cores de cabelo
enterrei meu sangue
vi um ovni
terça-feira, 20 de outubro de 2015
carta precoce pra uma futura despedida que talvez exista ou talvez não
se eu zarpasse, queria te pedir pra lembrar de mim. se eu virasse uma pequena abelha, ou um avião, ou uma folhinha ao vento, teria vontade de te pedir que me olhasse pra sempre com carinho. se eu virasse mulher e me juntasse aos tigres, leoas, outros felinos, te pediria, lembra de mim, não esquece de mim. te pediria pra não achar que isso é fuga. porque se eu partisse e um dia pensasse em voltar, pensaria em voltar pro lugar que eu ocupava em você. no teu ombro. na curva do teu pescoço. peito.
mas não te peço nada e não é "se", é "quando".
quando eu for, que você me esqueça rápido.
te quero completo. te quero (no) agora.
e seguirei contaminada, não como uma doença, mas como uma semente. ela brotará com a chuva da estrada e suas raízes estarão fundas nos meus olhos, nos meus olhares, nos meus passos, nas palavras carinhosas dirigidas a outros e outras que não serão você.
semente sua. mesmo que eu não lembre disso.
mas não te peço nada e não é "se", é "quando".
quando eu for, que você me esqueça rápido.
te quero completo. te quero (no) agora.
e seguirei contaminada, não como uma doença, mas como uma semente. ela brotará com a chuva da estrada e suas raízes estarão fundas nos meus olhos, nos meus olhares, nos meus passos, nas palavras carinhosas dirigidas a outros e outras que não serão você.
semente sua. mesmo que eu não lembre disso.
sábado, 17 de outubro de 2015
senti saudades de acordar na sua cama. levantei antes de ti (você não viu). te beijei o pescoço com cheiro de alfazema. por engano coloquei seu sutiã. te fiz café bem forte (não tomei). te beijei o pescoço mais uma vez. apertei o rosto contra o travesseiro tentando prender seu cheiro na minha caixa torácica.
amanhã eu te ligo. ou amanhã penso em você.
precisei ir embora cedo pra te digerir melhor.
amanhã eu te ligo. ou amanhã penso em você.
precisei ir embora cedo pra te digerir melhor.
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