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terça-feira, 6 de outubro de 2015

peito-maré

se alguém pensa que eu vou sucumbir, que vou afundar
anunciarei partida e içarei minhas velas tão alto que deus vai reclamar.
e remarei tão rápido que virarei um pontinho alcançando o horizonte e logo não serei mais visível. e não sentirei remorso ou saudades e nem pensarei em quem deixei acenando na praia.
me entregarei com graça às correntes e as marés que me arrebatarão e dormirei sozinha na proa, sendo guiada pr'onde for que o vento queira, toda iluminada nua coberta de sol.
e quando estiver tão longe, derramarei as últimas lágrimas pra juntar meu sal com o sal do mar, e deixarei que Iemanjá sopre suave um vento que seque meu rosto e aqueça meu pensar.
e então, quem sabe, um dia eu afunde. vire morada ou alimento pra peixe, coral, sereia.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

você verão

você era o quente dos trópicos.
as gotinhas de mar que pingaram dos seus olhos fizeram o oceano inteiro. e da sua dor salina brotaram peixes. dos soluços, corais.
Iemanjá nasceu

terça-feira, 29 de setembro de 2015

se escrevo, é pra deixar os rios correrem
escrever não me serve se você usar as palavras pra amarrar esperanças tuas, nos amores meus.
minhas palavras não são cordas, correntes, âncoras, barbantes, nem linha fina. nada que amarre. não é nada que faça nó ou prenda, ou estanque, ou estrangule.
não deixo fio solto nenhum pra que você se segure.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

tua fundura tem em mim um magnetismo bagunçado. confunde minhas bússolas, desregula relógios. me venta pra longe (ou pra mais perto, nunca sei)
me faz vírgula onde eu me achava ponto
com os pés na beira do oceano atlântico, não sei se o vento vem do mar, ou do teu cabelo, ou da tua risada rara, ou da minha confusão
e não sei se tenho mais medo de ser arrastada pelas correntes marítimas ou pelas tuas pupilas imensas, íris castanhas
(sinto que posso ser engolida num descuido. por isso serei toda cuidado perto de você)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

pra te ver; perfume atrás da orelha
memória da sua boca doce de vinho
cantar baixinho no caminho da ida
ter medo
não ter mais

te olhando saber que não sei nada da vida e nem tu