você gosta de mato mas dos meus pés na grama não gosta.
e gosta de tinta mas não quer pintar meu rosto
e tem amigosamores que bebem mas me julga quando estou bêbada
me chama mas me repele se eu te atender e diz saudade mas não aceita meus convites
e você tem esse olhar de quem ama o mundo inteiro mas ou é falso
ou não sou desse mundo
terça-feira, 2 de junho de 2015
sábado, 23 de maio de 2015
você não vai entrar, passarinho
com suas asas que fazem furacões.
não vai entrar em mim de novo. com suas pequenas patas curiosas bisbilhotando a quinquilharia que sou/carrego.
com teu ar, cheiro e palavra.
te deixo ficar na varanda junto com todos os outros e até na sala, dependendo da minha força. mas não na alma. não na cabeça.
em mim não tem pouso pra você.
não vai entrar em mim de novo. com suas pequenas patas curiosas bisbilhotando a quinquilharia que sou/carrego.
com teu ar, cheiro e palavra.
te deixo ficar na varanda junto com todos os outros e até na sala, dependendo da minha força. mas não na alma. não na cabeça.
em mim não tem pouso pra você.
a vida toda é outono
já são quase 20 horas antes que você possa pensar nisso. e de repente é segunda e você tem quase 20 anos e seus peitos logo vão começar a cair.
e em vez das ideias florescerem, a mente é uma árvore seca de fim de outono. (sem os tons alaranjados vivos, só marrom e seca.)
e em vez de irradiar fome e vontade de mundo, mantenho olheiras e olhos vermelhos e pele apagada.
e pratico um amor inverso.
e em vez de amizades efusivas, ressacas (físicas e não)
mas viver ainda dói bom.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
indecida-se
Minha cabeça redemoinha de palavras que não consigo capturar, como acontece com teu vento.
Te reconheci no vento (que rege nossos signos. que rege pipas, penas.)
E você fala muito. Mas não te encontrei em palavra nenhuma; foi no silêncio e no escuro. Quando não paramos de dizer, só paramos de falar.
E do mar veio mil ventos salgados pra embalar nossa embriaguez, então nossos olhos ventaram. E bocas ventaram.
As vezes cá dentro brisa.
Te reconheci no vento (que rege nossos signos. que rege pipas, penas.)
E você fala muito. Mas não te encontrei em palavra nenhuma; foi no silêncio e no escuro. Quando não paramos de dizer, só paramos de falar.
E do mar veio mil ventos salgados pra embalar nossa embriaguez, então nossos olhos ventaram. E bocas ventaram.
As vezes cá dentro brisa.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
amoralua
Lua.
Te disse inconstante e usei tuas fases pra chamar meu lirismo. Me dei às marés, me fiz o abrir de ciclos, me fiz o fechar de ciclos.
Depois pensei que você não é inconstante. Porque sei sempre que depois de desaparecer, você aparece. Depois de diminuir, você cresce. Pensei que podia te prever.
Mas não posso. Não sei que cor terá amanhã. Não sei se poderei te ver da minha janela ou terei que procurá-la. E se procurá-la, não sei se te acharei entre as nuvens da cidade.
Mas tem uma tristeza que você não carrega. A tristeza da passagem do tempo. A tristeza fina, como garoa, que sinto ao ver fotos muito antigas, de pessoas que nunca conheci, que podem estar mortas ou muito velhas. A tristeza de imaginar o que pensavam, sobre o que falavam, quais piadas contavam. Quem amavam ou o que almoçaram naquele dia. Onde nasceram e onde foram enterradas, e por que foram enterradas, e SE foram enterradas.
E todas as pessoas antigas olharam pra você e te chamaram bonita.
Você me engana, Lua, fazendo parecer que o tempo não passa. Mas passa. E quantas faíscas você guarda.
Te disse inconstante e usei tuas fases pra chamar meu lirismo. Me dei às marés, me fiz o abrir de ciclos, me fiz o fechar de ciclos.
Depois pensei que você não é inconstante. Porque sei sempre que depois de desaparecer, você aparece. Depois de diminuir, você cresce. Pensei que podia te prever.
Mas não posso. Não sei que cor terá amanhã. Não sei se poderei te ver da minha janela ou terei que procurá-la. E se procurá-la, não sei se te acharei entre as nuvens da cidade.
Mas tem uma tristeza que você não carrega. A tristeza da passagem do tempo. A tristeza fina, como garoa, que sinto ao ver fotos muito antigas, de pessoas que nunca conheci, que podem estar mortas ou muito velhas. A tristeza de imaginar o que pensavam, sobre o que falavam, quais piadas contavam. Quem amavam ou o que almoçaram naquele dia. Onde nasceram e onde foram enterradas, e por que foram enterradas, e SE foram enterradas.
E todas as pessoas antigas olharam pra você e te chamaram bonita.
Você me engana, Lua, fazendo parecer que o tempo não passa. Mas passa. E quantas faíscas você guarda.
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