O dizer é algo que quando se toca, esvanece. O que foi dito deixa no ar um contorno de memória, que por ser só contorno, a mente preenche com as inverdades que quiser.
Palavras causam sensações e vão embora como se não fossem nada. Caem da boca sincera e tornam-se mentira em contato com o ar.
E ninguém se faz lembrar apenas por dizer coisas.
Não servem pra fincar nada, em lugar nenhum (em ninguém).
Minha mente borbulha de palavras que não posso dizer para não validá-las.
Mas talvez possa escrevê-las;
vai embora. vai embora. vai embora. vai embora. vai embora. eu não te acredito. eu não te acredito. vai embora.
segunda-feira, 9 de março de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
segunda-feira, 2 de março de 2015
carta da saudade que um dia eu vou mandar
à tua pele branca que já me envolveu.
Não sei quem você é hoje. Talvez não saiba também quem foi. (está acontecendo uma coisa que acontecia no nosso tempo; as palavras perdem o sentido assim que saem da minha cabeça. Espero que você me entenda.)
Hoje penso -com saudade- na tua estabilidade que eu costumava repudiar. E nas suas incongruências. E em como você era (ou é, mais do que nunca) um muro intransponível. Me culpo.
Quis por tempo que as pessoas que somos se re-conhecessem. Hoje, deixo estar.
Mas sobretudo quero que saiba que apoio o teu caminho e teus amores. E, se quiser notícias minhas, resumindo os anos, sou feliz.
de mim, com carinho e saudades.
Não sei quem você é hoje. Talvez não saiba também quem foi. (está acontecendo uma coisa que acontecia no nosso tempo; as palavras perdem o sentido assim que saem da minha cabeça. Espero que você me entenda.)
Hoje penso -com saudade- na tua estabilidade que eu costumava repudiar. E nas suas incongruências. E em como você era (ou é, mais do que nunca) um muro intransponível. Me culpo.
Quis por tempo que as pessoas que somos se re-conhecessem. Hoje, deixo estar.
Mas sobretudo quero que saiba que apoio o teu caminho e teus amores. E, se quiser notícias minhas, resumindo os anos, sou feliz.
de mim, com carinho e saudades.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
gota;
ou você pinga ou você volta. não adianta ficar. ficando você sempre será um potencial, uma coisa que pode ser mas não é.
é confortável olhar o mundo de fora e ainda pertencer a fonte; mas não é real.
te aconselho que pingue. (pinga em mim e me encharca, com essa tua pequeneza de gota.)
a terra é seca mas ainda existem lagos. rios. mares. oceanos.
se faça correnteza e me arrasta, me arrasta molhado. me arraste, gota. pingue. me pingue. goteja em mim.
pequena que você é, componha uma coisa. faça parte. chova. poça. (possa)
é confortável olhar o mundo de fora e ainda pertencer a fonte; mas não é real.
te aconselho que pingue. (pinga em mim e me encharca, com essa tua pequeneza de gota.)
a terra é seca mas ainda existem lagos. rios. mares. oceanos.
se faça correnteza e me arrasta, me arrasta molhado. me arraste, gota. pingue. me pingue. goteja em mim.
pequena que você é, componha uma coisa. faça parte. chova. poça. (possa)
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
esvaziando às/as quartas
vi uma borboleta sendo sugada pelo carburador de um carro. e quis falar sobre como me sinto hoje.
seu fim não me causou nenhum ímpeto. eu bem que quis. me desculpa. me desculpa borboleta amarela.
assisti uma morte gritante mas o que me moveu foram algumas garrafas de cerveja. e o movimento foi pra onde sempre vai: dentro de mim.
sua morte amarela. a fumaça da qual seus restos agora fazem parte. a fragilidade da vida.
e contra isso
eu.
eu flutuante, eu que pergunta. eu que me escolhe.
mas que me perdoa.
seu fim não me causou nenhum ímpeto. eu bem que quis. me desculpa. me desculpa borboleta amarela.
assisti uma morte gritante mas o que me moveu foram algumas garrafas de cerveja. e o movimento foi pra onde sempre vai: dentro de mim.
sua morte amarela. a fumaça da qual seus restos agora fazem parte. a fragilidade da vida.
e contra isso
eu.
eu flutuante, eu que pergunta. eu que me escolhe.
mas que me perdoa.
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