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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eu quis achar que os insetos criavam asas no calor para passear nas noites quentes de verão. Quis achar que mariposas gostam de se vestir de lua, por isso ficam a noite toda imóveis. Pensei que as formigas usavam pontos nos ouvidos, para que se comuniquem em suas missões além-formigueiro. Que as árvores tremelicam com o vento porque ele canta, e elas dançam.
Mas a natureza não é bonita. A natureza é.
A natureza é, e a frase acaba assim.
Enquanto eu projetar meu amor, ele não existe. Enquanto eu projetar, meu amor...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Depois de anos, anos, anos
longas, intermináveis décadas
uma ida e volta à era paleolítica
milhares e milhares de ciclos universais
pessoas mudadas que fomos
sonhei com você. (e gostei)

domingo, 30 de novembro de 2014

composição de imagens destruidoras;
cobrir de terra um canteiro de flores
colocar um passarinho numa gaiola perto da janela, para que saiba o quão livre ele não é
plantar girassóis em quartos escuros
cortar a língua com papel.

porque eu mesma, nesse instante, só ando prestando mesmo para destruir

[isso é um relatório] O assassinato do subjetivo será o seguinte

Sem menções à qualquer coisa pessoal demais. É permitido palavras rápidas sobre o tempo, algum objeto, alguma pergunta sobre onde fica o banheiro. Mais que isso corre o risco de não morrer.
Proibido abraços longos ou sinceros. Abraços breves de meio corpo na hora de dar tchau são permitidos, porém quase perigosos. Expressamente proibido contato visual significante.
Toques de mãos distraídas nunca matariam, como o esperado. Ao contrário. Deixariam viver.
É permitido quaisquer pensamentos de qualquer ordem. É proibido demonstrá-los.
Preferível que qualquer interação seja permeada de piadas, para que se mantenha a distância necessária.
Proibido ler-se.

sábado, 29 de novembro de 2014

Por todo tipo de fumaça que me acalma
meacalma
minha calma
mim acalma
a minha calma
a mim acalma
alma clama
calma, alma.