Falhei mais uma vez com você, Cosmos. Acho que não honrei o corpo do qual fui encabida.
Desculpa corpo. Por não aguentar suas dores de mulher. Por não saber fazer do meu ventre útero do mundo. Por não querer, nunca, acolher uma alma além da minha dentro de mim, e por não deixar um novo corpo formar-se dentro do meu próprio.
Ingeri, inalei e traguei tantas coisas que poluíram minha carne, que anos não me purificariam. E quantas vezes fui hedonista!
Desculpa vagina. Por te dar prazer apenas carnal, e nunca pensar na sua universalidade cosmonauta. Por dizer palavras que te denegriram. Por não aceitar seu sangue visceral, limpo. Por não ser mulher a ponto de te merecer.
Até agora.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Gostava quando eu não era construída
Quando eu era nova queria crescer. Hoje que quase-cresci sei que crescer é construir castelos.
Crescer mais é destruí-los.
Porque assim uma coisa maior pode entrar no lugar; um nada!
! !
Um horizonte grande, descampado e todo cheio de possibilidades de ser.
Crescer mais é destruí-los.
Porque assim uma coisa maior pode entrar no lugar; um nada!
! !
Um horizonte grande, descampado e todo cheio de possibilidades de ser.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Vômitos poéticos
Não aguentava suas tempestades de palavras. Você que fazia para me diminuir, declamava, declamava, declamava... Porque sabia que eu não tenho jeito com frases.
Passamos pelas 4 estações juntos mas o curioso é que eu só te lembro no inverno. Gelado igual as sílabas que você jogava em mim, goela afora, poeticamente, poética mente.
Você nunca me enganou não, saiba! Com tua inclinação pra tudo que é poesia falada. Você não me ganhou nisso não. Não sei que tipo de dispositivo tinha na sua mente que você apertava e desencadeava na sua boca, língua, e enfim meus ouvidos ou dedos-teclado-meus olhos, mas nunca me enganou. Eu sei que você não fazia poesia, vomitava.
Passamos pelas 4 estações juntos mas o curioso é que eu só te lembro no inverno. Gelado igual as sílabas que você jogava em mim, goela afora, poeticamente, poética mente.
Você nunca me enganou não, saiba! Com tua inclinação pra tudo que é poesia falada. Você não me ganhou nisso não. Não sei que tipo de dispositivo tinha na sua mente que você apertava e desencadeava na sua boca, língua, e enfim meus ouvidos ou dedos-teclado-meus olhos, mas nunca me enganou. Eu sei que você não fazia poesia, vomitava.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Quando acendi
E foi você, feito de brilho ancestral. Pus minha boca pra dançar com a sua, deixei suas ondas golpearem minha língua, aceitei a visceralidade. Dois oceanos em tempestade carnal. Te deixei entrar.
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