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terça-feira, 4 de junho de 2013

Deslizou a mão pela nuca até os ossos do peito. Subiu pela bochecha e segurou o queixo, enquanto as bocas dançavam juntas. Sussurrei sem separar os lábios dos dela; "As pessoas escrevem músicas sobre pessoas igual a você."

segunda-feira, 20 de maio de 2013

P A R E M D E E T I Q U E T A R A A R T E

Estudou por décadas para ter autoridade de julgar a arte alheia. Analisa o sentido das pinceladas e a ordem das notas musicais nas melodias. Racionalizam a arte. Classificam emoções que nem são suas em bonitas ou feias. Certas ou erradas, bem ou mal exprimidas.
Críticos mortos, cinzas! Vocês não vivem de poesia, só de erros gramaticais.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

pés de asfalto

Fazer parte dessa sujeira urbana diária quase me faz virar sujeira urbana também.
Parece que meus pés só são capazes de percorrer asfalto, porque meus pés viraram o próprio asfalto. Meus pulmões só funcionam com fumaça. Não escuto nada sem buzinas e sirenes bem altas. O céu? O céu é branco-doente. Qualquer cor diferente disso que eu eventualmente venha a enxergar, é coisa desses meus olhos patológicos. Nada no mundo é verde, só cinza.
E se você não for feito de plástico, por favor, não fale comigo.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ela tanto, eu tão pouco. Ela barulho, eu calmaria.
Ela me quer muito, mas junto, todas.
Ela me puxa e me beija com urgência, aperta minha nuca, me morde. Depois me empurra, vira pro outro lado e dorme. Me conta mil histórias, mil noites e amores dos quais nenhum sou eu.
Me olha tão fundo que é difícil suportar não beijá-la. Me abre, me vira e mê lê, eu nem sei como interpretar seus olhos.
Viveu mil anos. E eu, engatinhando.
Sinto fome dela. Quero sua delicadeza e força e o cheiro do seu travesseiro em mim. E só por segundos, no escuro, que sejamos iguais.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

De outono a outono

Era como se estivesse vazia de alguma coisa da qual precisasse terrivelmente. Como quando se respira e os pulmões não enchem. Respirei voraz, rápida, faminta, esperando que isso suprisse minhas faltas.
Não sei se estava prestes a murchar ou dilacerar de dentro pra fora. Liguei para o primeiro número da agenda como quem liga para a ambulância; "me salvem ou vou explodir!"
Claustrofóbica de mim mesma, meu corpo não mais me continha. Precisava englobar o mundo, por isso expandi.
Não estava vazia. Estava cheia de ausência.