sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
As possibilidades de felicidade são egoístas, meu amor.
Hoje decidi ficar acima disso. Antes eu era alguma coisa com asas presa pelos pés à angustiante obrigação de ser sempre infeliz, sempre esperta e lúcida, sempre politizada. Hoje percebi que quero pessoas espertas e politizadas e nem tão lúcidas o tempo todo por perto, e se não tem ninguém, quero pelo menos soltar meus pés e ser melhor que o que me prendia. Sozinha mesmo.
Nem sempre quero me explicar porque nem sempre quero ser entendida.
Nem sempre quero me explicar porque nem sempre quero ser entendida.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Finalmente, chegou.
E chegou apesar de todos os meus muitos protestos silenciosos, apesar da minha falta de interesse, apesar dos meus pedidos discretos de 'SE AFASTE, CARALHO.'
E chegando vi que era bem o que eu queria mesmo.
Eu odiava principalmente não entender a sensação de ficar nervosa e me acalmar no exato momento em que você chegava perto. Porque era isso que você fazia comigo, afinal.
Nunca foi repulsa. Tinha vontade de correr porque não entendia bem os seus efeitos, mesmo assim fiquei.
E ainda estou, por que? Nem sei mais.
E chegando vi que era bem o que eu queria mesmo.
Eu odiava principalmente não entender a sensação de ficar nervosa e me acalmar no exato momento em que você chegava perto. Porque era isso que você fazia comigo, afinal.
Nunca foi repulsa. Tinha vontade de correr porque não entendia bem os seus efeitos, mesmo assim fiquei.
E ainda estou, por que? Nem sei mais.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
pulsações da cidade- não coloque intensidade onde não há nada.
Andou sem pressa sobre as calçadas molhadas daquela cidade imunda. Talvez esperasse que alguém o impedisse, que alguém lesse sua mente e o impedisse. Talvez.
Buscou tremendo o que precisava da farmácia e voltou no mesmo ritmo, sentindo a água entrar pelo seu calçado furado de couro e molhar seus pés sem meias. Tirou os calçados. Parou e tragou o cheiro de concreto molhado, como odiava aquilo. Como odiava toda aquela cidade e aquelas pessoas.
Duas velhas passaram fofocando porque era o que se fazia naquele lugar, e uma falou que as vezes orava por ele. Ele pensou em olhar pra trás mas percebeu que aquele comentário não merecia um rosto. "Ele é um perdido, sinto pena."
Primeiro ele ficou com raiva mas começou aos poucos a achar graça, no jeito em que as pessoas se achavam melhores, no jeito que te olham, no grau de estupidez. E sentiu pena.
Chegou sem perceber na frente de casa. E como odiava aquela casa, como odiava o cheiro de mofo, o barulho nas telhas quando chovia, o sofá cheirando a cigarro.
Tomou tudo o que havia pego na farmácia. De uma vez.
Buscou tremendo o que precisava da farmácia e voltou no mesmo ritmo, sentindo a água entrar pelo seu calçado furado de couro e molhar seus pés sem meias. Tirou os calçados. Parou e tragou o cheiro de concreto molhado, como odiava aquilo. Como odiava toda aquela cidade e aquelas pessoas.
Duas velhas passaram fofocando porque era o que se fazia naquele lugar, e uma falou que as vezes orava por ele. Ele pensou em olhar pra trás mas percebeu que aquele comentário não merecia um rosto. "Ele é um perdido, sinto pena."
Primeiro ele ficou com raiva mas começou aos poucos a achar graça, no jeito em que as pessoas se achavam melhores, no jeito que te olham, no grau de estupidez. E sentiu pena.
Chegou sem perceber na frente de casa. E como odiava aquela casa, como odiava o cheiro de mofo, o barulho nas telhas quando chovia, o sofá cheirando a cigarro.
Tomou tudo o que havia pego na farmácia. De uma vez.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Não temos base.
E tentamos com a graça de quem gosta do não-conseguir. Não temos base porque até nas conversas mais amigáveis nos rasgamos como se rasga alguém que se odeia, porque teus sorrisos vão cortando do pescoço até a coxa e porque o silêncio não se sustenta nunca. Silêncio que não se sustenta é vontade de descobrir e vontade de descobrir quer dizer que estamos inquietos um com o outro.
Talvez seja ódio mesmo. Ódio e amor são a mesma merda, em sentido opostos. Só sei que nunca estou indiferente em relação a você e que quero sangrar nas nossas conversas longas todo dia, conversas auto-destrutivas, cheias de sorrisos seus, cheias.
Tipo essas coisas que se criam e se destroem.
Talvez seja ódio mesmo. Ódio e amor são a mesma merda, em sentido opostos. Só sei que nunca estou indiferente em relação a você e que quero sangrar nas nossas conversas longas todo dia, conversas auto-destrutivas, cheias de sorrisos seus, cheias.
Tipo essas coisas que se criam e se destroem.
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