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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

pulsações da cidade- não coloque intensidade onde não há nada.

Andou sem pressa sobre as calçadas molhadas daquela cidade imunda. Talvez esperasse que alguém o impedisse, que alguém lesse sua mente e o impedisse. Talvez.
Buscou tremendo o que precisava da farmácia e voltou no mesmo ritmo, sentindo a água entrar pelo seu calçado furado de couro e molhar seus pés sem meias. Tirou os calçados. Parou e tragou o cheiro de concreto molhado, como odiava aquilo. Como odiava toda aquela cidade e aquelas pessoas.
Duas velhas passaram fofocando porque era o que se fazia naquele lugar, e uma falou que as vezes orava por ele. Ele pensou em olhar pra trás mas percebeu que aquele comentário não merecia um rosto. "Ele é um perdido, sinto pena."
Primeiro ele ficou com raiva mas começou aos poucos a achar graça, no jeito em que as pessoas se achavam melhores, no jeito que te olham, no grau de estupidez. E sentiu pena.
Chegou sem perceber na frente de casa. E como odiava aquela casa, como odiava o cheiro de mofo, o barulho nas telhas quando chovia, o sofá cheirando a cigarro.
Tomou tudo o que havia pego na farmácia. De uma vez.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Não temos base.

E tentamos com a graça de quem gosta do não-conseguir. Não temos base porque até nas conversas mais amigáveis nos rasgamos como se rasga alguém que se odeia, porque teus sorrisos vão cortando do pescoço até a coxa e porque o silêncio não se sustenta nunca. Silêncio que não se sustenta é vontade de descobrir e vontade de descobrir quer dizer que estamos inquietos um com o outro.
Talvez seja ódio mesmo. Ódio e amor são a mesma merda, em sentido opostos. Só sei que nunca estou indiferente em relação a você e que quero sangrar nas nossas conversas longas todo dia, conversas auto-destrutivas, cheias de sorrisos seus, cheias.
Tipo essas coisas que se criam e se destroem.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

there's something about you that i can not understand

Não era por ser metida ou triste que ela nunca olhava nos olhos. Não que fosse feliz, mas não era por isso que nunca deixava as mãos serem tocadas.
Tinha sono leve, porque nem dormindo se permitia ser indefesa.
Também parecia meio incapaz de ter conversas longas demais e amizades longas demais e relacionamentos longos demais. Era porque tinha um jeito naturalmente fugitivo assim. Largava frases incompletas no ar, e tinha a mania peculiar de te deixar sozinho.
Deixar sozinho, isso era uma coisa que ela fazia muito.
Não falava muito dela e não se deixava olhar por muito tempo.
Um dia sumiu. Morreu, não sei. Sumiu, tinha um jeito naturalmente fugitivo. Sumiu de uma vida sem muitas coisas além de baques abruptos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

porque as vezes me dá uma falta de sentido que vocês nem sabem.

bolsa de valores tanque de gasolina novidades em tecnologia aquecimente global
pasta de dentes.
O MUNDO É MUITO ENGRAÇADO!
e por favor, por favor, chega de se levar a sério viu. chega de caçar meus erros gramaticais. chegar de complicar porque o mundo é simples e tua cabeça nem tanto. porque olha, o mundo é uma bosta mesmo, mas tudo bem porque ele pode ser poesia, assim de vez em quando.
tira esse terninho. eu sei que você entende muito sobre economia e tal, eu sei que você pagou muito caro nesse celular MAS PARA
para só um poquinho e olha pra cima. se tiver estrelas melhor, mas se estiver chovendo
melhor.