Não acho que alguma pessoa no mundo pudesse estar feliz aquele dia. Devia ser alguma coisa no céu, parecia neve suja com pegadas de lama. A cada esquina, um sinaleiro fechado. "É sua teoria, né? Sua teoria sobre sinais fechados. Dias que começam assim não costumam ser bons." Pensei.
Meu pai estava sentado do meu lado sem fazer nada além de dirigir e ser triste. "Acho que ele não sabe o quanto é lindo e livre, e isso é quase como ser um pássaro." Ser um pássaro é uma merda porque você tem o mundo e não sabe. Não, é pior. Você tem o céu e não sabe. Porque pássaros passam a vida inteira não estando cientes de que são pássaros.
Mais do que tristes, nós estávamos vulneráveis... Mas eu não lamentava. Era uma tristeza linda. Ele disse "Nada é doce mais, pequena." Mas você não sabe, pai. As vezes a vida ainda pode ser doce. É verdade que poucas coisas tem um desfecho impressionante, mas a tristeza em você é muito doce e quando você grita comigo como se nunca tivesse sentido nenhum orgulho, eu me obrigo a sentir doçura em qualquer coisa próxima.
Sei lá, ser um pássaro é uma merda.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
Então diz como eu deveria agir
Esquece o que eu disse sobre 'o que, sinceramente, eu quero de você.' Achei que sabia mas não sei, achei que poderia ser surpreendida, mas não serei. O que eu, sinceramente, quero agora é sentar contigo no chão, bem perto pra te pedir desculpas e ouvir você não dizer nada. E queria muito mais você agora, só porque eu não posso ter, só porque você não quer, só porque eu não me gosto o suficiente.
Queria olhar seu rosto ridículo de quem não tem remorso e inventar na minha cabeça que você está se importando e que você consegue enxergar MAIS do que eu acho que você consegue. Você nunca tinha me fascinado antes.
Queria olhar seu rosto ridículo de quem não tem remorso e inventar na minha cabeça que você está se importando e que você consegue enxergar MAIS do que eu acho que você consegue. Você nunca tinha me fascinado antes.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Veículos lentos na pista da direita
Já estavam cansados demais pra serem irônicos. Não aquela hora, não aquele dia, não fisicamente. Eles eram duas pessoas cansadas.
Quando eram jovens, juntos tinham um tipo de brilho. Uma combinação inusitada, um menino desempregado, uma cidade grande pequena demais, uma primavera, uma menina morena desajeitada. Agora eram dois adultos afetados.
Eles foram afetados! Perigosíssimo. A tragédia da normalidade, altamente contagiosa pela convivência. Uma vez ouvi falar de um homem que foi contagiado, e ainda tentamos nos recuperar.
Um a um, nós tentamos nos recuperar.
Nesses dois o brilho foi substituído por fundas olheiras. Quando a infecção estava no começo, ainda existia o humor ácido um contra o outro. Agora foram consumidos.
Havia amor? No fundo, no fundo,
não.
Era irreversível.
Quando eram jovens, juntos tinham um tipo de brilho. Uma combinação inusitada, um menino desempregado, uma cidade grande pequena demais, uma primavera, uma menina morena desajeitada. Agora eram dois adultos afetados.
Eles foram afetados! Perigosíssimo. A tragédia da normalidade, altamente contagiosa pela convivência. Uma vez ouvi falar de um homem que foi contagiado, e ainda tentamos nos recuperar.
Um a um, nós tentamos nos recuperar.
Nesses dois o brilho foi substituído por fundas olheiras. Quando a infecção estava no começo, ainda existia o humor ácido um contra o outro. Agora foram consumidos.
Havia amor? No fundo, no fundo,
não.
Era irreversível.
sábado, 25 de junho de 2011
pulsações da cidade - não coloque intensidade onde não há nada.
nasceu na terra
tudo que eu sou e tudo
ver você dormir
cresceu no sol, mas colheu na lua. quando a tua alma transbordou
você viu esse pássaro? porque ele está em todos os lugares
e tudo que fui. é mais que um nome ou um rosto. você não pode comprar a felicidade. roube-a
escrito de batom no vidro do espelho, corações de verdade não são quebrados. quer dizer que tudo que sou e que fui eu aprendi? eu sinto a sua falta todo santo dia.
não é triste? perguntou.
sem o verde morrem todas as cores.
a gente acostuma. Mon dessin ne représentait pas un chapeau, este é meu relatório sobre a importância.
opções?
and that's what kills you.
tudo que eu sou e tudo
ver você dormir
cresceu no sol, mas colheu na lua. quando a tua alma transbordou
você viu esse pássaro? porque ele está em todos os lugares
e tudo que fui. é mais que um nome ou um rosto. você não pode comprar a felicidade. roube-a
escrito de batom no vidro do espelho, corações de verdade não são quebrados. quer dizer que tudo que sou e que fui eu aprendi? eu sinto a sua falta todo santo dia.
não é triste? perguntou.
sem o verde morrem todas as cores.
a gente acostuma. Mon dessin ne représentait pas un chapeau, este é meu relatório sobre a importância.
opções?
and that's what kills you.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Não te acho arte.
Não acho. Não acho que você é luz nem que eu sentiria sua falta se você se metesse um dia na minha vida e decidisse ir embora. Não acho que te preciso e nem que preciso do seu jeito de achar defeito em tudo e acho que preciso cada vez menos da sua respiração.
Acho que você é tão controlado por fora mas passa muito tempo brigando com você mesmo por dentro.
Acho que alguém tinha que gritar com você, te fazer explodir, balançar essa paz tosca do caralho que você sempre tem contigo.
Eu NÃO sinto a sua falta.
Acho que você é tão controlado por fora mas passa muito tempo brigando com você mesmo por dentro.
Acho que alguém tinha que gritar com você, te fazer explodir, balançar essa paz tosca do caralho que você sempre tem contigo.
Eu NÃO sinto a sua falta.
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