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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Gabi sentia as coisas e depois ficava na dúvida se podia ter sentido aquilo. Parece que se equilibrava na situação desconfortável de ser interrompida no meio de um espreguiçar. 
Percebia a cabeça difícil as vezes.
Passou a tarde preparando os músculos para receber outra pessoa, que viria no fim do dia. Imaginou ele aparecendo quando o sol estivesse fosco, a luz morna, um poste aceso aqui e ali. Imaginou ele trazendo seu cheiro característico largo e aceso, se esparramando em cima dela, mordendo-a, delicado e um pouco abrupto. Gabi era uma folha verde pousada na água, suave, contente da espera.
E contente da chegada que aconteceu mais noite do que ela esperava.
Como é injusto se apaixonar por homens. Como é injusto anular qualquer coisa selvagem que existe sem eles.
Gabi teve a ideia curta de boicotar todos os homens e manter seu corpo disponível apenas para mulheres.
Aí ele tocou sua bochecha com mãos gigantes, mãos quentes de homem, compridas, mãos que tocam, mãos que tocam sua vagina e lá estava ela pensando que o queria muito, lá estava ela invadida no peito por esse líquido pesado e quente que é querer outra pessoa. Gabi o queria muito.
Viu ele flertar com todas as mulheres dali, em jogos infantis de fingir desinteresse e receber risadas escandalosas das moças. Depois que as mulheres saíam, ele ia até Gabi e a beijava, quase num pedido de desculpas, ou numa busca por qualquer desagrado, ou ainda numa tentativa de dividir seu tempo e seu afeto entre todas.
E ela achava engraçado e levemente repulsivo. Você não é o único da minha vida, eu não posso ser a única do seu fim de tarde.
E pensou também que se ela estivesse apaixonada por uma mulher, vê-la flertar seria gracioso e excitante. Sem jogos ou dissimulações, apenas uma vontade pura e doce.

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